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Mudanças para 2018? Veja 20 lições para aprender com Leonardo Da Vinci

Rodrigo Casarin

14/12/2017 10h54

Semana passada falei aqui sobre a ótima biografia do Leonado Da Vinci escrita por Walter Isaacson, publicada no Brasil pela Intrínseca. No final do volume o autor elenca 20 lições baseadas na vida do gênio renascentista que, segundo o biógrafo, qualquer pessoa poderia aprender. Veja:

Seja incansavelmente curioso: a principal característica de Leonardo era sua curiosidade. “Ele queria saber por que razão as pessoas bocejam, como elas andam no gelo dos Flandres, métodos para realizar a quadratura do círculo, o que faz a válvula aórtica se fechar, como a luz é processada pelo olho e como influencia a perspectiva em uma pintura”.

Busque o conhecimento pelo simples prazer da busca: nem todo conhecimento precisa ser útil, mas querer entender como tudo funciona permitiu que Leonardo explorasse mais horizontes e identificasse mais conexões do que outros humanos de sua época.

Maravilhe-se como uma criança: se surpreender e se maravilhar com cada detalhe do mundo e ter curiosidade sobre eles foi fundamental para que Leonardo empreendesse diversas pesquisas.

Observe: e observar é mais do que olhar, mas prestar muita atenção a tudo. “Quando foi inspecionar os fossos que cercavam o Castelo Sforzesco, ele viu as libélulas e percebeu que elas tinham quatro asas e que os pares se alternavam durante o movimento”, exemplifica o autor.

Dama com arminho.

Comece pelos detalhes: “Se você quiser ter um conhecimento sólido sobre as formas de um objeto, comece pelos detalhes e não avance para o próximo se não tiver gravado bem o primeiro na memória” – essa dica vem dos cadernos de Leonardo mesmo.

Veja o que está invisível: trabalhando no teatro, onde exerceu muito de sua criatividade, Leonardo levou para as encenações não apenas o real. “Ele era capaz de ver pássaros voando, mas também enxergava anjos; ou leões rugindo, mas também dragões”.

Mergulhe no desconhecido: nos cadernos de Leonardo há 730 anotações sobre o fluxo da água e 67 palavras que descrevem como a água se movimenta. Estudando pelo prazer de aprender, foi mais fundo do que praticamente todas as outras pessoas tinham ido.

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Distraia-se: Leonardo era criticado por muitas vezes perder o foco. No entanto, “a disposição em se interessar por qualquer tópico que cruzava seu caminho deixou sua mente muito mais rica e com muito mais conexões”.

Respeite os fatos: tem uma ideia? Faça um experimento para ver se ela funciona. Não deu certo? Elabore outra teoria, volte aos estudos.

O perfeito é inimigo do bom: essa parece frase de para-choque de caminhão, eu sei, mas Leonardo não se contentava em entregar trabalhos que considerasse apenas bons.

Pense visualmente: imaginar como as coisas funcionam é essencial para que se perceba a “beleza fundamental por trás das leis da natureza”.

Evite fechar horizontes: Leonardo não fazia distinção entre arte e ciência, para ele a beleza estava em todos os cantos. O entendimento e domínio em uma frente levava à perfeição do trabalho na outra.

Faça com que seu alcance seja maior do que sua compreensão: pense grande, tente executar aquilo que você pensou e, se fracassar, aprenda; certas questões aparentemente jamais serão resolvidas.

A última ceia.

Alimente sua fantasia: não censure a sua imaginação, fomente os pensamentos que parecem mais absurdos.

Crie para você, não só para os patronos (ou patrões): Leonardo dispensou trabalho de gente rica para abraçar atividades nas quais realmente acreditava em busca de aperfeiçoar sua obra.

Trabalhe em conjunto: pode até haver certa verdade no mito do gênio recluso, mas parte importante dos trabalhos de Leonardo foi produzida no ateliê de Verrocchio, um de seus mestres, e com a influência de alguns amigos.

Faça listas: elas alimentam a curiosidade.

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Faça anotações no papel – eles perduram; cadernos antigos têm a capacidade de surpreender quem os lê – inclusive o próprio autor.

Esteja aberto ao mistério: “Nem tudo precisa de linhas bem definidas”.

Procrastine: em tempos de pessoas que nunca sossegam, talvez muita gente torça a cara para esta, então coloco aqui toda a explicação de Isaacson. “Quando trabalhava em ‘A Última Ceia’, Leonardo às vezes ficava olhando para a pintura por uma hora, dava uma mísera pincelada e em seguida ia embora. Ele disse ao duque Ludovico que a criatividade demandava tempo para que as ideias se apurassem e as intuições se formassem. Explicou: ‘Homens de intelecto elevado às vezes obtêm seus maiores avanços quando trabalham menos, uma vez que suas mentes, então, ocupam-se com as ideias e com o aperfeiçoamento dos conceitos aos quais posteriormente darão forma’. A maioria de nós não precisa de nenhum incentivo para procrastinar; fazemos isso naturalmente. Mas procrastinar como Leonardo dá muito mais trabalho: o processo envolve reunir todas as informações e ideias sobre um assunto e só então deixar que essa grande coleção fermente”.

É isso, faça bom proveito!

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.