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Quadrinhos no Jabuti? Escritores premiados indicam quais HQs mereciam ganhar o troféu

Rodrigo Casarin

14/01/2017 13h06

 

"Diomedes".

“Diomedes”.

No começo desta semana quadrinistas lançaram um manifesto pedindo a inclusão de uma categoria dedicada às HQs no Prêmio Jabuti, um dos mais importantes do meio editorial nacional. Se o troféu para o nicho existisse desde sempre, quais obras mereciam já ter levado o quelônio pra casa? Foi essa pergunta que fiz a diversos escritores premiados – e todos eles, mesmo os que por razões diversas não indicaram quadrinho algum, mostraram-se a favor da ideia, ainda que Ricardo Lísias faça uma reflexão importante. Veja as respostas:

Julián Fuks (vencedor do Jabuti de 2016 com ‘A Resistência’): “Com certeza haveria muita coisa a premiar retroativamente, mas de partida aponto um bem recente: os ‘Quadrinhos dos Anos 10’, do André Dahmer. Ali se expressa, com grande eloquência visual, algo da alienação e da violência a que estamos sujeitos nesta última década. Com humor corrosivo, a provocar na maioria das vezes um riso nervoso, o livro é uma mostra de como o desenvolvimento capitalista tem sido acompanhado por um forte recrudescimento do pensamento autoritário”.

Noemi Jaffe (vencedora do Prêmio Brasília de Literatura de 2014 com “A Verdadeira História do Alfabeto”): “Laerte, Laerte, Laerte. Qualquer um de seus livros. Ela é o equivalente de Kafka na linguagem dos quadrinhos; não existe nada semelhante no mundo. Gênia!”

Carol Rodrigues (vencedora do Jabuti de 2015 com “Sem Vista para o Mar”): “Apesar de o Mutarelli negar o passado quadrinista ele teria merecido sim, e ganhado. É um artista com uma capacidade muito grande de envolvimento; faz um registro absolutamente inventivo, e preciso, das obsessões. O sensacional ‘Diomedes’ teria com certeza um jabutizinho”.

Marcelo Maluf (vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura de 2016 com “A Imensidão Íntima dos Carneiros”): “Acho fundamental que exista a categoria. Eu indico a série ‘O Beijo Adolescente’, do Rafael Coutinho. Pelo experimentalismo formal, qualidade técnica unida ao universo pop”.

"Cachalote".

“Cachalote”.

Paulo Scott (vencedor do Prêmio Açorianos de Literatura de 2016 com “O Ano em que Vivi de Literatura”): “Cachalote’, Rafael Coutinho e Daniel Galera. Eles levaram ao extremo os cânones da boa narrativa (narrativa curta) assentados ao longo do século 20, além do que organizaram um encadeamento impecável entre as histórias, entre os contrates e semelhanças que deveriam ser essenciais para reconhecê-las como conjunto. O final, a solução das últimas páginas, é genial sem dar qualquer sinal de ser pretensioso; um feito, sem dúvida. Por mais que pese o talento assombroso do Rafael, a presença do Galera é reconhecível; há um trabalho de equipe, de junção e concerto”.

Carlos Henrique Schroeder (vencedor do Prêmio Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional, de 2010 com “As Certezas e as Palavras”): “’Diomedes’, de Lourenço Mutarelli (edição reunida). Mutarelli criou um dos grandes personagens (e repaginou o gênero policial) dos quadrinhos brasileiros: Diomedes, ex-delegado, preguiçoso, fora do peso e fumante inveterado. Sua incompetência é novamente proclamada ao partir no encalço do há muito desaparecido mágico Enigmo e se deparar com um catálogo de figuras bizarras, dignas do universo mutarelliano. Um clássico”.

André Leones (vencedor do Prêmio Sesc de Literatura de 2005 com “Hoje Está um dia Morto”): “‘Desistência do Azul’, de L. M. Melite (Zarabatana Books), é um dentre vários quadrinhos brasileiros merecedores do Jabuti. Descrito pelo próprio autor como ‘um pretensioso ensaio sobre a memória e a imaginação’, o livro usa e abusa de traços arrojados e quebradiços para dar conta de uma reflexão que, a exemplo da nossa própria consciência, com o passar dos anos, vai se esfarelando”.

Luisa Geisler (vencedora do Prêmio Sesc de Literatura de 2010 com “Contos de Mentira”): “Minha escolha seria o quadrinho ‘Dois Irmãos’, de Fábio Moon e Gabriel Bá. Por mais que a história seja uma adaptação de Milton Hatoum, ao adaptá-la, esta se transformou em algo original e distinto. Para mim, tornou-se uma experiência artística em si, mesmo que eu já fosse familiar com ‘o original’. Merece uns cinco Jabutis”.

Ricardo Lísias (vencedor do Prêmio APCA de 2012 com “O Céu dos Suicidas”): “’Bulldogma’, do Wagner Willian, me pareceu muito bom. Acho interessante a iniciativa dos quadrinistas. Por um lado, parece que confirma que eles se sentem fortes e com uma criação importante o suficiente no meio editorial para merecer uma categoria em um prêmio como esse. E são mesmo. Por outro lado a iniciativa demonstra também uma intenção de se institucionalizar, o que nunca é muito interessante para a criação artística. Muitas vezes um prêmio só mostra que um autor conseguiu agradar um público determinado, ou seja, cumpriu regras. Os quadrinhos com isso deixarão de ser uma contracultura”.

"Bulldogma"..

“Bulldogma”..

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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