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Dia do Livro Infantil e as mais puras memórias afetivas de leitura

Rodrigo Casarin

02/04/2020 09h45

A brincadeira: citar cinco livros que tivessem marcado a minha vida. Tasquei "O Meu Pé de Laranja Lima", de José Mauro de Vasconcelos, "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban", de J. K. Rowling, "Dom Quixote", de Miguel de Cervantes, "Entre os Vândalos", de Bill Buford, e "Angústia", de Graciliano Ramos. Fui pela ordem de leitura, só que, acho, inverti o terceiro com o quarto. Sem problemas.

Demorou um pouco, mas apareceu um leitor questionando: "Você colocou Dom Quixote e Harry Potter na mesma cesta, é isso mesmo?". Ué, e por que não? É uma lista de livros que marcaram a minha vida, não dos melhores títulos que já li. Não nasci recitando "A Divina Comédia" nem vivo encastelado nos clássicos, então é normal sentir carinho por títulos tão díspares quanto "Angústia", colosso de nossa literatura, e "Entre os Vândalos", livro-reportagem sobre porradaria entre hooligans, apenas para pegar outros dois exemplos da relação. Acho que todo leitor tem isso: um espaço no qual guarda as mais puras memórias afetivas de leitura.

Nesse campo, meu maior exemplo é o primeiro dos cinco livros apontados na brincadeira: "O Meu Pé de Laranja Lima". Hoje é o Dia Internacional do Livro Infantil e tenho algumas recordações bem nítidas da minha formação de leitor. Lembro de amar as revistinhas da Turma da Mônica, gostar um tanto das do Tex e não ver graça alguma em gibis da Disney. Lembro de reler trocentas vezes "O Menino Maluquinho", do Ziraldo. Lembro também de como eram bizarras as histórias de Goosebumps, livretos vendidos em banca com títulos como "O Lobisomem do Pântano da Febre" e "A Vingança do Boneco Vivo". Eram toscos. Eu adorava.

De "O Meu Pé de Laranja Lima" eu não lembro de quase nada. Não tenho memórias claras dos personagens, do enredo ou de qualquer elemento diretamente ligado ao texto. Só recordo que precisei ler na terceira ou na quarta série porque a professora Bernadete – baixinha, bem branca, cheia de sardas, óculos fundo de garrafa, tão exigente quanto carinhosa – pediu.

Sempre gostei do título em si: "O Meu Pé de Laranja Lima" e passei a gostar ainda mais por conta de um trecho de uma música da Legião, "Sereníssima", que fala de uma laranjeira verde que está tão prateada. Mas isso foi bem depois daquela leitura da escola. Ali, alguma coisa aconteceu, tanto que a obra se cristalizou como uma das minhas lembranças mais marcantes relacionadas ao livro. E marcante não pelo que me vem à cabeça, mas pelos sentimentos ainda capaz de despertar.

Isso tudo tem pouco a ver com a intelectualidade com que carimbam os livros, a literatura e a leitura. Mas tem tudo a ver com a formação enquanto leitor e com uma maneira muito honesta, ainda que racionalmente pouco complexa, admito, de apreciar a arte.

Agora, digam aí, quais livros marcaram dessa forma o lado leitor de cada um de vocês? Também foi algo lido na infância?

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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