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Inspirado em Vistas de Edo, artista recria Tóquio cheia de cores e fantasia

Rodrigo Casarin

05/02/2020 08h27

Portal do Kaminarimon (em Asakusa). Créditos das imagens: Shinji Tsuchimochi/Shikaku Publishing Company.

Tem livros que nos ganham pela simpatia. É o caso de "100 Vistas de Tóquio", de Shinji Tsuchimochi, que acaba de sair pela Estação Liberdade. Formado em pintura japonesa, Shinji se inspirou em "100 Vistas de Edo", clássica série de gravuras do pintor Hiroshige Utagawa, para criar a própria versão para o centro antigo da capital nipônica.

Nos 101 desenhos que compõem o corpo principal da obra (além das 100 vistas mencionadas no título, há uma extra do Templo Nezu na primavera), o artista recria paisagens que vão desde construções conhecidas até de quem nunca esteve em Tóquio, como os Templos Zojojie e Shibamata Taishakuten, até cenas mais ordinárias, como os pedestres que passam na frente de uma barbearia.

Nas ilustrações repletas de cores de Tsuchimochi, muitas vezes encontramos personagens do folclore japonês ou nomes históricos da cultura do país. Graças às notas de Drik Sada, que assina a tradução, descobrimos, por exemplo, que não é um simples homem que caminha na direção de um sebo num dia chuvoso, mas o escritor Nagai Kafu, autor de livros como "Histórias da Outra Margem" e "Guerra das Gueixas". Em outra cena, Drik nos conta que um homem narigudo voando sobre a multidão trata-se de "tengu, yokai reconhecido pelo seu longo nariz vermelho e natureza maligna".

"Desenhando as 100 vistas de Tóquio, comecei a consolidar dentro de mim a ideia de que minha função neste mundo é a de realizar o encontro do mangá com o ukiyo-e. A meu ver, da mesma maneira que as pinturas a óleo de Van Gogh herdaram a beleza concisa dos traços e cores das paisagens pintadas por Hiroshige, o senso estético da arte do ukiyo-e também foi passado para gravuristas como Hiroshi Yoshida e Hasui Kawase, chegando até o mundo dos mangás, influenciando o trabalho de vários autores, inclusive estrangeiros, como Moebius", escreve o autor no posfácio do volume, que ainda conta com um breve mangá e cinco vistas da cidade de Osaka.

Seguindo com o olhar sobre os diversos artistas citados, Tsuchimochi pega como exemplo o "ar descompromissado e bem-humorado visto nas pinturas de Hiroshige, que lembram muito o estilo dos desenhos que ilustram as poesias do haiku". Essas ilustrações estão presentes nos trabalhos de desenhistas como Ippei Okamoto e Suiho Tagawa, que já atuavam no mangá antes da Segunda Guerra Mundial. "É esse tipo de clima que eu gostaria de ressuscitar nos meus desenhos, neste Japão contemporâneo", registra o artista.

Veja algumas das ilustrações de Tsuchimochi presentes em "100 Vistas de Tóquio":

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Ponte Komagata (em Asakusa).

Sebo de livros Okuramae Shobo (em Asakusa).

Edifício Asahi Super Dry Hall (em Asakusa).

Izakaya Rashomon (em Shimbashi).

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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