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Quer uma boa resolução de ano novo? Prometa mergulhar no mundo do vinho

Rodrigo Casarin

2008-01-20T19:10:55

08/01/2019 10h55

Quem sabe você não vai parar numa bebedeira como esta, na Califórnia.

Perder peso? Cortar o chocolate? Tirar o álcool da vida? Virar vegano? Parar de procrastinar? Não gastar dinheiro com besteiras? Se sua resolução para o ano novo for alguma dessas, sabemos que há gigantescas chances dela ser abandonada antes mesmo do carnaval. O segredo para que essas promessas não sejam furadas, acho, é colocar no horizonte algo indubitavelmente aprazível.

No começo do ano passado, botei na cabeça que iria me dedicar um pouco menos à cerveja e passaria a estudar – e a beber, obviamente – alguma outra bebida. Tinha duas em vista: a cachaça e o vinho. Flertei forte com a primeira, mas acabei explorando principalmente a segunda ao longo do ano. Nesse caminho, como sempre, livros me ajudaram a compreender melhor o goró feito a partir da fermentação de uvas. Se alguém quiser traçar caminho semelhante e colocar essa prazerosa resolução como meta para 2019, deixo aqui uma lista com sete bons títulos sobre o assunto:

"O Guia Essencial do Vinho", Madeline Puckette e Justin Hammack (Intrínseca): estudar vinho, no meu caso, significou aprender tudo praticamente do zero, já que até o ano passado não suportava a bebida (culpa dos garrafões da época da faculdade). Então, para começar a entender o que era Cabernet Sauvignon, Tannat, Malbec, Riesling e Chardonnay, essa versão editada e impressa do famoso site Wine Folly foi uma ótima opção.

"Volta ao Mundo em 20.000 Vinhos", Júlio Anselmo de Sousa Neto (Gutenberg): dar uma boa olhada em regiões produtoras e aos poucos descobrir as supostas ou efetivas diferenças que podem existir entre elas também manteve viva a minha curiosidade pela bebida. Nessa parte, esse vasto guia do enófilo brasileiro Júlio Anselmo de Sousa Neto ajudou a dimensionar o tamanho do universo que começava a explorar.

"História do Mundo em 6 Copos", Tom Standage (Zahar): enquanto isso bebia, é claro. Ao estudar uma bebida – ao estudar qualquer assunto, na verdade –, é sempre interessante entendermos um pouco de seu passado. "História do Mundo em 6 Copos" tem um capítulo dedicado exclusivamente ao vinho, explicando principalmente a importância da iguaria no Império Romano e como ela começa a ganhar infelizes e desnecessários contornos esnobes (falei mais sobre a obra aqui).

"Vinho & Guerra", Don e Petie Kladstrup (Zahar): chegando a um passado mais recente, aqui temos uma história que nos dá a dimensão da importância do vinho para a França. Na Segunda Guerra, enquanto alemães invadiam seus vizinhos e saqueavam o que encontravam pela frente, Hitler e seus capangas de alto escalão exigiam para si os mais badalados vinhos franceses. Do lado oposto, produtores centenários pensavam em formas de resistir e salvar as safras mais valiosas de seus rótulos icônicos (também já falei sobre o livro).

"O Vinho Mais Caro da História", Benjamin Wallace (Zahar): história, competência, safras lendárias… Esses elementos alçam certos produtores ao patamar de semideuses na Terra e fazem com que alguns de seus vinhos alcancem cifras estratosféricas. Valem o que custam? Não tenho a mínima ideia, nunca passei nem perto de um desses exemplares de trocentos mil reais (vai que esbarro na garrafa…). No entanto, muita gente que procura por essas preciosidades também não faz muita ideia de quanto o líquido vale ou não tal preço, que acaba sendo fortemente impactado pela especulação. Esse universo de ostentação, afetação e caras lambanças está bem retratado em "O Vinho Mais Caro da História" – mais aqui.

"Enciclopédia do Vinho", Stephen Brook (Senac): não sendo mais um total perdido quando o assunto é vinho, dois pesos-pesados me ajudam a entender melhor o que esperar de cada garrafa de acordo com a uva e a região onde o fermentado foi feito. O primeiro é "Enciclopédia do Vinho", que em suas quase 700 páginas esmiúça a bebida e traz breves comentários sobre milhares de produtores de dezenas de países.

"Atlas Mundial do Vinho", Hugh Johnson e Jancis Robinson (Globo Estilo): o outro peso-pesado é este atlas ricamente ilustrado que me ajudou a entender como se forma o conceito de terroir e como ele reflete nos melhores vinhos de cada região. Só é uma pena que, apesar de valiosas fontes para constantes consultas, tanto "Enciclopédia do Vinho" quanto "Atlas Mundial do Vinho" dediquem pouquíssima atenção ao que vem sendo feito em países que não sejam do chamado Primeiro Mundo.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.