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15 dicas para você presentear com livros neste Natal

Rodrigo Casarin

07/12/2018 10h44

Quer dar livros de presente no Natal? Deixo aqui 15 dicas para os mais variados gostos (se não curtir nenhuma delas, vasculhe o blog que você encontrará centenas, talvez milhares, de outras ideias):

"Tudo Pode ser Roubado", de Giovana Madalosso (Todavia) – primeiro romance da autora, apresenta uma garçonete ladra, um vagabundo profissional que odeia David Bowie, uma travesti receptora de mercadorias de luxo, um machão agressivo com problemas em assumir suas preferências sexuais e um professor universitário depressivo que tudo idealiza. Isso para ficar apenas nos personagens mais marcantes da trama ágil, cativante e bem-humorada, com boas doses de cinismo, que se passa em São Paulo. Se nunca leu nada de Giovana, está perdendo muito.

"Pai, Pai", de João Silvério Trevisan (Alfaguara) – um expurgo, um acerto de contas de Trevisan com seu pai, alcoólatra que parecia desconhecer palavras como "carinho" e "afeto". Ao longo da narrativa, o autor repassa uma série de momentos de brutalidade e truculência para reconstruir sua formação emocional. São boas as chances de ter sido o melhor livro que li neste ano.

"A Fada Sem Cabeça", de Luís Henrique Pellanda (Arquipélago) – apontado como um dos principais cronistas do país, Pellanda também mostra potência neste ótimo volume de contos, com algumas peças apresentando um horror que me fez lembrar da russa Liudmila Petruchévskaia. A masculinidade é constantemente colocada contra a parede nessas breves narrativas do autor.

"O Peso do Pássaro Morto", de Aline Bei (Nós) – trabalho que valeu à escritora o troféu de melhor livro de autor estreante com menos de 40 anos do Prêmio São Paulo deste ano, é a indicação mais poética desta lista. Com uma escrita um tanto experimental, Aline acompanha a vida de uma mulher dos 8 aos 52 anos, passando tanto por pequenos episódios quanto pelas maiores tragédias.

"O Ano do Dilúvio", de Margaret Atwood (Rocco) – "O Conto da Aia" é excelente, sabemos, mas outras obras da canadense Margaret Atwood merecem atenção. Esta, também distópica, foi lançada há pouco por aqui. É o segundo volume de uma trilogia iniciada com "Oryx e Crake" (e finalizada com "MaddAddão") na qual a autora aborda questões relacionadas à natureza e à sociedade cindida.

"Reserva Natural", de Rodrigo Lacerda (Companhia das Letras) – a literatura brasileira se passa cada vez mais nas grandes cidades, mas é principalmente na natureza – seja a natureza da mata, seja a natureza dos homens — que Rodrigo Lacerda encontra motivações para os contos presentes neste volume. Essas naturezas, no entanto, muitas vezes passam longe daquela imagem idílica que costumamos construir em nossas cabeças.

"Jorge Amado – Uma Biografia", de Josélia Aguiar (Todavia) – história de vida de um dos principais escritores brasileiros, autor de obras como "Capitães da Areia", "Gabriela, Cravo e Canela" e "Dona Flor e Seus Dois Maridos". É uma das minhas leituras do momento e tenho ficado admirado com a maneira como Josélia constrói, a partir da trajetória de Jorge, um panorama de nossa sempre conturbada história política e da muitas vezes mesquinha história literária, cheia de panelinhas e picuinhas.

"Edifício Tristeza", de Júlio Bernardo (Realejo) – um dos resenhistas de gastronomia mais conhecidos do país, nesta obra Júlio, o JB, reúne crônicas que passam pelas suas preferências à mesa e pela sua própria história com a (nem sempre) boa comida. Há espaço também para suas habituais patadas, como esta: "Para cada Caipirinha bem-feita, existe um exército de gororobas com saquê vagabundo e vodca ordinária com frutas vermelhas congeladas predominando". Não poderia concordar mais. Caipirinha é limão, pouco açúcar, gelo e cachaça, acabou.

"Se os Tubarões Fossem Homens", de Bertolt Brecht (Olho de Vidro) – um dos principais nomes da literatura do século 20, aqui Brecht constrói uma irônica alegoria imaginando o que os tubarões fariam se fossem homens, num texto que trata principalmente de domínio e relações de poder – e que viralizou há algum tempo num vídeo no qual é recitado pelo saudoso Antonio Abujamra no final de um episódio do "Provocações", que faz falta. O livro em questão tem apresentação da atriz Denise Fraga e ilustrações de Nelson Cruz.

"O Rei Mocho", de Ungulani Ba Ka Khosa e Americo A. Mavale (Kapulana) – autor de livros como "Ualalapi" e "As Mulheres do Imperador" – reunidos em um único volume por aqui pela Kapulana sob o título de "Gungunhana" -, Ba Ka Khosa é um dos autores mais importantes da história moçambicana. Neste infantil, ele faz uma releitura de um tradicional conto sobre moral e ética dos sena, etnia do centro de Moçambique. As ilustrações são de Americo A. Mavale e o volume integra a coleção "Contos de Moçambique" – outra releitura bacana da série é "O Pátio das Sombras", com texto de Mia Couto e desenhos de Malangatana.

"Augumas Conpozissõis Imfãtis", de Millôr Fernandes (FTD) – é mais um livro mais sobre crianças do que exatamente para crianças. Traz 50 composições de texto e imagem de Millôr inspiradas no universo infantil. São observações que homenageiam os pequenos mais sagazes, como "A guerra é onde tem tanto morto que já ninguém se importa". Sim, o nome do livro é essa coisa esquisita mesmo.

"Chuva Clara", de Adriana Cerdeira Gutman (Rocco Pequenos Leitores) – com ilustrações de Anielizabeth, o livro infantil promete ser uma história de encontros e descobertas que tem Clara, garotinha de sete anos que adora brincar na chuva, no centro da história.

"Paraíso Perdido", de John Milton e Pablo Auladell (Darkside) – adaptação para quadrinhos do clássico poema épico do inglês John Milton, publicado na segunda metade do século 17, sobre os conflitos entre os anjos caídos e os aliados de Deus. Uma citação logo no começo da obra já diz muito sobre ela: "Melhor reinar no inferno que servir no céu". As ilustrações do espanhol Pablo Auladell são magníficas, gostaria de enquadrá-las pela casa toda.

"Asa Quebrada", de Antonio Altarriba e Kim (Veneta) – de fundo biográfico, nesta HQ Altarriba repassa a história de Petra, sua mãe, que se vira para sobreviver e achar seu lugar no mundo em uma Espanha que passa por uma significativa transformação ao longo do século 20. É um livro que aborda o machismo e a invisibilidade das mulheres na sociedade.

"Drácula", de Bram Stoker, Thomas, Mignola e Nyberg (Mino) – versão em quadrinhos da adaptação de "Drácula", de Bram Stoker, feita para o cinema por Francis Ford Coppola. No livro as cenas do filme ganham um tom bastante soturno com os desenhos em preto e branco de Mike Mignola, famoso pela série "Hellboy". O roteiro é de Roy Thomas e a arte-final, de John Nyberg.

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.