Topo
Blog Página Cinco

Blog Página Cinco

Pilar do conservadorismo mundial é chamado de “comunista” por brasileiros

Rodrigo Casarin

10/10/2018 14h25

Um tuíte que Francis Fukuyama postou no início da tarde desta quarta, no horário de Brasília, nos dá uma dimensão da loucura que tomou conta de parte do país. "Muitos brasileiros parecem pensar que sou comunista porque estou preocupado com a [eventual] presidência de Bolsonaro. E vocês pensam que os americanos que são polarizados", postou o norte-americano. Pelo Twitter é possível encontrar aqui e ali manifestações que dão lastro ao seu registro.

Nesta segunda, Fukuyama compartilhou um artigo do jornal The New York Times sobre a preocupação com o destino da democracia em nosso país por conta da ascensão da extrema-direita e do clima beligerante no qual estamos imersos. Em abril deste ano, em entrevista para a Folha de São Paulo, também já tinha se manifestado sobre o assunto: "Bolsonaro representa uma verdadeira ameaça à democracia. Subjacente a isso, há uma polarização social no Brasil, que transformou em luta ideológica o que começou como uma campanha anticorrupção". Foi o suficiente para que brasileiros fossem lhe "acusar" de comunismo.

Poucas coisas são mais surreais do que alguém associar o nome desse norte-americano de 65 anos a tal ideologia. Fukuyama é um dos bastiões do conservadorismo no mundo, tendo sido uma das principais mentes do governo de Ronald Reagan (presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989) e servido de fonte intelectual para Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido entre 1979 e 1990.

Dentre os livros que publicou, um dos maiores sucessos é "O Fim da História e o Último Homem" (Rocco), que, vejam só, celebrava a vitória do liberalismo após a queda de regimes como o comunismo da União Soviética. Além disso, dentre as bandeiras que defende, está a de que a evolução política foi concluída após a queda desse mesmo comunismo.

Como disseram de Madona(!) outro dia, capaz de insinuarem agora que Fukuyama também está apenas se aproveitando da corrida presidencial no Brasil para conseguir cinco minutinhos de fama.

Gostou? Você pode me acompanhar também pelo Twitter e pelo Facebook.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.