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“Fazendo Meu Filme”: série faz 10 anos com mais de 750 mil livros vendidos

Rodrigo Casarin

26/09/2018 10h12

"'Fazendo Meu Filme' faz parte da minha vida. Sinto como se os personagens fossem reais, como se fossem meus amigos e eu simplesmente tivesse registrado a história que cada um deles me contou. O fato de parte da história ter sido inspirada em acontecimentos que vivi torna tudo ainda mais intenso, pois é muito emocionante ver tantas pessoas se identificando, se comovendo com minha própria história… A série mudou a minha vida e eu realmente gostaria que os personagens fossem de verdade para que eu pudesse dar um grande abraço neles e agradecer".

É dessa forma que a escritora Paula Pimenta encara a série que criou há exatos dez anos e que já vendeu mais de 750 mil exemplares. "Fazendo Meu Filme" (Gutenberg) se divide em quatro volumes e acompanha a vida da jovem Fani. O sucesso fez com que a narrativa se desdobrasse em uma outra coleção criada pela autora, "Minha Vida Fora de Série", protagonizada por Priscila, uma das amigas de Fani. Além disso, "Fazendo Meu Filme" virou HQ, teve os direitos negociados para o cinema e, para comemorar sua primeira década de vida, ganhou um livro que traz um pouco do processo de criação da obra: "Fazendo Meu Filme – Os Bastidores da História de Fani", lançado na última Bienal do Livro de São Paulo com tiragem inicial de 30 mil exemplares.

Todo esse sucesso surpreende a escritora que, ao publicar o primeiro título, pensou que apenas amigas e familiares iriam ler. "Nem acreditei quando vi que o livro estava se popularizando, que as pessoas estavam realmente empolgadas com a história", conta em entrevista ao blog. Não que o estouro tenha sido imediato. Apenas no quarto volume da série, lançado em 2012, Paula percebeu que Fani e sua turma tinham realmente se tornado conhecidos de um público amplo. "Mesmo agora, depois de 10 anos, é emocionante ver que muitos leitores ainda estão descobrindo a série, que ela continua tão atual quanto na época do lançamento, em 2008".

Essa trajetória, como não poderia deixar de ser, é pontuada por momentos marcantes. O primeiro deles, ver a capa da edição inaugural de "Fazendo Meu Filme" ("era um sonho se tornando realidade"). Outro, o carinho de fãs. "O primeiro e-mail que recebi com elogios de uma leitora que não era da minha família nem minha amiga foi muito marcante também, até chorei! Depois, no lançamento do quarto livro da série, foi a primeira vez que as leitoras me receberam com gritos, como se eu fosse uma popstar! Fiquei meio assustada, não sabia que gritavam para escritores, foi surpreendente!" (Veja aqui depoimentos de admiradores da série).

Fotos: Leo Drummund.

Formada em Publicidade, Paula também estudou Música e Escrita Criativa. Sua estreia na literatura aconteceu em 2001 com o livro de poemas "Confissão". Além das séries já mencionadas, publicou ainda dois volumes de crônicas – "Apaixonada por Palavras" e "Apaixonada por Histórias" – e participou de "Um Ano Inesquecível", que ainda reúne contos de Bruna Vieira, Thalita Rebouças e Babi Dewet. Está publicada em Portugal, na Espanha e em toda a América Latina, outro ponto que considera um marco em sua carreira. Somando tudo o que fez, vendeu até aqui mais de um milhão e meio de exemplares. Para se ter ideia de sua popularidade, Paula representou 15% das vendas do Grupo Autêntica na Bienal de São Paulo, mesmo não tendo ido ao evento por conta da reta final de sua gravidez – tornou-se mãe no final de agosto.

Dentre tudo isso, ao menos um dissabor: a pirataria de seus livros, algo que a deixa "meio pra baixo" e a obriga a constantemente denunciar sites que reproduzem ilegalmente o seu trabalho. "Alguns leitores não têm a menor noção que isso é crime e simplesmente copiam o livro, página por página. Outros sabem que é errado, mas não ligam… Ser escritor é um trabalho como qualquer outro. Eu vivo disso. Então, é frustrante ver que não valorizam a minha profissão".

Paula também vislumbra o vem por aí. Almeja ser publicada em mais países, principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra, e sonha em um dia ver algum de seus livros virar filme em Hollywood. Além disso, planeja levar sua escrita para áreas que ainda não explorou. "Tenho ideias para livros com uma pitada de fantasia. Já pensei também em usar um pseudônimo, sem ser secreto, apenas para especificar que são livros para um público mais adulto. Isso porque minhas leitoras estão crescendo e elas me pedem para acompanhar as vivências que têm atualmente, já mais velhas. Só que eu continuo também atingindo leitoras de nove, dez anos. Então, essa seria uma solução para poder ousar mais. Por isso, quem sabe futuramente eu crie um 'Paula Pepper' só para esses livros mais adultos? Difícil vai ser conseguir convencer as leitoras novinhas a não lerem essas histórias!".

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.