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Jogadores da Copa deveriam demonstrar mais comprometimento com o bolão

Rodrigo Casarin

20/06/2018 07h52

Fim da primeira rodada da Copa do Mundo, todas seleções já estrearam na competição, então é o momento de falarmos de um assunto de extrema importância: a falta de comprometimento de certos times e jogadores com o bolão. Tão pensando o quê? Que é só chegar lá, jogar, tentar ganhar e, quem sabe, levantar a taça? Nada disso, peladeiros de grife. É preciso dar uma força com palpiteiros mundo afora, palpiteiros como eu. E não há nada que me revolte mais do que acertar um placar, mas ver a realidade se fazendo diferente daquilo que coloquei no papel. Não entendeu? Exemplifico.

Peru X Dinamarca. De um lado, sul-americanos que andavam longe do mundial desde 1982 e que, apesar dos jogadores razoáveis, adoram perder um gol atrás do outro e vacilar na defesa. Do outro, europeus com um estilo de jogo mais sem graça do que tofu. É para 1X1, obviamente. E era para ter sido esse mesmo o placar do jogo, estou corretíssimo. Quem está errado é o Cueva, que me bate o pênalti uns sete quilômetros acima do gol. Aí fica ele chorando e eu com cara de tacho. O Peru derrotado e eu com a inequívoca razão sobre o empate, mas sem os pontos do bolão.

Outro exemplo: o fraco Marrocos contra o fraquíssimo Irã, uma certeza de jogo horroroso. Palpite certeiro? 1X0 Marrocos, que previsivelmente dominou toda a peleja. Resultado da partida no deturpado mundo real? 1X0 e com gol marroquino – o Irã praticamente não levou perigo à meta adversária. Agora, que culpa tenho se o Marrocos me perde umas 327 chances e no último minuto da partida um tiriça do Magrebe inventa de meter uma cabeçada contra o próprio gol?

Como já disse, é muita falta de comprometimento com o bolão alheio. Japão X Colômbia foi outro jogo desses. Placar evidente? Qualquer vitória colombiana. Mas aí me aparece um filho de Macondo para meter a mão na bola dentro da área com dois minutos de partida, ser expulso e ferrar com tudo: com o próprio time, com o desenrolar do jogo, com os palpites…

Reconheço, contudo, que não sou infalível, em alguns casos é preciso assumir a parcela de culpa com o fracasso do bolão. Argentina X Islândia era um jogo para 2X0 hermanos, como coloquei? Não, não era. Os dois gols argentinos eu até acertei (se o segundo não saiu, a culpa é do Messi, que perdeu o pênalti, não minha). Só que foi uma ingenuidade gigantesca da minha parte, um erro digno de Higuaín, achar que aquele amontoado de jogadores que ficam no campo de defesa da Argentina conseguiriam passar um jogo todo sem tomar gol. O palpite mais correto seria mesmo o 2X1.

E tem aqueles clássicos jogos que parecem feitos para ninguém pontuar. A Rússia meter 5 na Arábia Saudita é um bom exemplo disso. Portugal 3X3 Espanha, outro, difícil cravar um empate com tantos gols assim logo numa estreia de duas boas seleções. Só que sempre há algum sortudo – ou sem noção – que vai bem em partidas como essas, impressionante. Do jogo mais “ferra bolão” da história, o fatídico 7X1, o Mineirazo, circulam por aí casos de acerto no Paraná e nos Emirados Árabes. Vê se pode…

Alguns livros já foram escritos sobre a tragédia do Mineirão ou nela inspirados: “7X1 – Contos de Dor e Alegria”, de Ivo Domingo Vivian (Age), “Sete Atos, Um Final”, de Darcio Ricca e Max Gehringer (Chiado), “Empresas Alemãs no Brasil: O 7X1 da Economia”, de Christian Russau (Elefante), o alemão “7X1 – Das Jahrhundertspiel”, de Christian Eichler… Agora alguém poderia ir a fundo na história desses clarividentes que previram o massacre, capaz de descobrirem um novo Nostradamus por aí.

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.