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Organização acerta ao dar um tapa na poeira e reformular o Prêmio Jabuti

Rodrigo Casarin

15/05/2018 14h13

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) anunciou na manhã desta terça-feira algumas mudanças substanciais para a 60ª edição Jabuti, o mais longevo prêmio do mercado editorial brasileiro. Dentre as alterações que visam aproximar a honraria dos leitores e deixar o pleito mais democrático – seja facilitando a inscrição para autores independentes, seja prometendo júris heterogêneos -, a principal novidade é a reestruturação das categorias do troféu.

Se na edição de 2017 o Jabuti possuía quase 30 categorias, agora serão 18. Elas estão distribuídas em quatro eixos: Literatura (com troféus para Romance, Poesia, Conto, Crônica, Infantil e Juvenil, Tradução e HQ), Ensaios (com troféus para Biografia, Humanidades, Ciências, Artes e Economia Criativa), Livro (Projeto Gráfico, Capa, Ilustração e Impressão) e Inovação (Livro Brasileiro Publicado no Exterior e Formação de Novos Leitores, este inédito). Há ainda o Jabuti dourado, entregue ao Livro do Ano, que antes premiava o melhor título de ficção e o melhor de não ficção, mas agora será destinado a apenas uma obra, que será escolhida entre as vencedoras dos eixos Literatura e Ensaios.

Vejo com bons olhos as mudanças, o Jabuti precisava mesmo dar uma boa arejada, dar um tapa na poeira, e uma estrutura mais enxuta contribui positivamente para tal. Além disso, finalmente a organização deixa bastante claro que a premiação contempla a literatura, mas que o Jabuti não é exatamente um prêmio literário – ou não é somente um prêmio literário; ele olha para toda a cadeia do livro enquanto objeto, não exclusivamente para méritos artísticos. Nesse sentido, também é uma bola dentro separarem contos e crônicas, gêneros díspares que antes concorriam em uma mesma categoria (torçamos para que o mesmo aconteça com os livros infantis e juvenis num futuro próximo).

O que pode gerar polêmica é deixar as HQs dentro do eixo Literatura. Na visão de Luiz Armando Bagolin, que lidera o Conselho Curador do Jabuti, os quadrinhos são um "gênero misto" que tem na literatura um de seus pilares. Para muitos quadrinistas, no entanto, HQ e literatura são coisas completamente distintas, são formas independentes de arte muitas vezes veiculadas por meio de um mesmo objeto, o livro. Tendo a ficar com essa segunda visão. Em todo caso, vale a discussão.

Outra mudança importante é que agora só haverá troféu para o vencedor de cada categoria, não mais para os três primeiros colocados. Segundo Bagolin, é uma medida para que o Jabuti deixe de ser "carne de vaca". Ao encontro disso, o valor concedido aos vencedores também aumentou: agora os galardoados receberão R$5 mil (no ano passado foi R$3,5 mil) e o vencedor do livro do ano ganhará R$100 mil (bem mais do que os R$35 mil da última edição).

São medidas que podem fazer com que o Jabuti volte a ser, de fato, um jabuti, não um quelônio que mais parecia uma tartaruga gigante de Galápagos.

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.