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Quero ler mais, vale a pena apostar em um aparelho para livro digital?

Rodrigo Casarin

10/01/2018 10h38

Semana passada dei cinco dicas para quem deseja começar a ler ou ler um pouco mais em 2018 e algumas pessoas falaram sobre leitores digitais, os e-readers, que surgiram no mercado há dez anos com a promessa de desbancar os livros de papel, mas até agora não engrenaram. Um e-reader ajudaria alguém a dar o pontapé inicial no mundo da leitura ou faria com que um leitor ocasional se transformasse em um ávido devorador de livros digitais? Tenho lá minhas dúvidas.

Só fui ter meu primeiro – e até aqui único – e-reader no final de 2016. Já li muita coisa nele, mas não é o meu formato preferido. Se puder escolher, ainda fico com a versão em papel de quase qualquer livro. Uso o aparelho principalmente quando estou viajando (é uma mão na roda poder carregar centenas de livros em um objeto levíssimo e que praticamente não ocupa espaço, permitindo que eu traga mais garrafas de bebidas na volta para casa), dar uma olhada em fragmentos de narrativas (poder baixar uma amostra do livro é uma das ótimas funções da ferramenta) e para ler provas em PDF de títulos que ainda não foram publicados (recurso caro à profissão, que não deve ser de grande serventia para a imensa maioria dos usuários).

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Um e-reader não é algo exatamente barato (hoje há opções novas entre R$240 e R$1149) e, ainda que simples de usar, já é bem mais complexo do que um livro de papel, que basta você abrir e ler. Dependendo do modelo que escolher – Kindle, Lev, Kobo -, o usuário precisará se adaptar às características da própria marca e torcer para que o livro desejado tenha formato compatível com seu aparelho. Por outro lado, os livros digitais novos costumam ser cerca de 30% mais em conta do que livros físicos novos (que não estejam em promoção). Além disso, o e-reader pode ser uma boa para quem tem problemas com letras pequenas (e poderá escolher o tamanho da fonte que mais lhe agrada) ou costuma passar muito tempo em lugares escuros, já que dispensa qualquer tipo de iluminação externa.

“Ah, Rodrigo, mas a bateria do e-reader acaba rápido. Além disso, vou ficar andando com um aparelho desses por aí? Com certeza vão me roubar”. Olha, não e não. Após carregadas, as baterias costumam durar semanas. E, convenhamos, pessoas andam por aí expondo celulares muito mais caros e atraentes do que um leitor digital.

Então, afinal, o que acho? Um e-reader ajudaria alguém a dar o pontapé inicial no mundo da leitura ou faria com que um leitor ocasional se transformasse em um ávido devorador de livros digitais? Não creio, apesar de suas qualidades.

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Quem não lê um livro em papel, muito provavelmente não descobrirá os prazeres da leitura apenas mudando de plataforma. E quem quer ler mais, é melhor achar tempo na agenda para tal em vez de simplesmente investir em tecnologia e esperar que ela faça milagre. Entretanto, nesse segundo caso, se o e-reader permitir que a pessoa leia mais por aproveitar brechas em horas vagas nas quais não estaria acompanhada de um livro impresso, aí começa a ser um auxiliar interessante. Também pode ajudar quem compra muitos livros a economizar um pouco, além de poupar um bom espaço na casa – que, por outro lado, ficará sem o poeirento charme das estantes ocupadas por livros.

Ao cabo, só é importante sempre lembrar que Kindle, Lev, Kobo ou qualquer outro aparelho do tipo são apenas ferramentas. Um leitor se faz primordialmente com os próprios esforços.

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.