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Os três Reis Magos realmente existiram? O que eles levaram para Jesus?

Rodrigo Casarin

06/01/2018 10h16

“Estrela de Belém”, de Edward Burne-Jones.

Jesus nasceu. Então, Melchior, Gaspar e Baltasar, magos do oriente, chegaram a Jerusalém e se informaram com Herodes, o então manda-chuva local, sobre o paradeiro do “rei dos judeus”, o lugar onde a criança tinha sido parida. Com o endereço em mãos, partiram. Ao longo de toda jornada, os magos ainda contaram com o auxílio de algo no céu (uma estrela cadente?) para chegar até Jesus. Entraram no recinto, viram o pequeno com Maria, ajoelharam-se e abriram as caixas nas quais levavam seus presentes: ouro, incenso e mirra.

Resumidamente, é essa a história que marca o Dia de Reis, celebrado neste 6 de janeiro, quando milhões de pessoas pelo mundo desmontam suas árvores de Natal. A passagem (dos magos, não do desmonte das árvores) está presente no “Evangelho de Mateus”, um dos textos sagrados que compõe o “Novo Testamento” da “Bíblia”. Mas o que há de verdade (factual e bíblica) nessa história que conhecemos sobre a visita a Jesus?

Tenho em mãos a tradução de tal Evangelho assinada pelo português Frederico Lourenço, cuja versão da “Bíblia” feita a partir da língua grega vem sendo publicada no Brasil pela Companhia das Letras. No texto que serve de apoio aos escritos de Mateus, Frederico conta que os magos Melchior, Gaspar e Baltasar receberam tais nomes graças à “imaginação popular”, não há registro sobre como chamavam no relato do evangelista.

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Aliás, sequer há registros de que eram três os magos e de que realmente existiram. “Nada há, em suma, de historicamente verificável que e possa dizer sobre os magos do Evangelho de Mateus: mesmo o seu número não é especificado pelo evangelista; nós falamos tradicionalmente em três magos, mas isso é apenas uma conclusão não ilógica a partir do fato de os presentes oferecidos terem sido em número de três. (Na tradição de algumas Igrejas do cristianismo oriental, acreditava-se que os magos eram doze)”, registra Lourenço.

Outra “criação popular” relacionada à história é tratar os magos como “reis”. Na época, mago era um sábio, um sacerdote, algum estudioso dos astros ou tudo isso junto (não um colega milenar de Harry Potter). Então, com o passar do tempo, provavelmente quiseram elevar o status daqueles que buscaram Jesus para presenteá-lo e os alçaram ao título soberano. Vem também dos entusiastas da história, não do próprio Mateus, as possíveis interpretações sobre o que o ouro, o incenso e a mirra simbolizariam: realeza, fé, martírio… O evangelista não escreveu uma linha sequer sobre isso.

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Fica claro que há uma boa distância entre o real, o que está na “Bíblia” e a maneira que a passagem é lembrada e celebrada no dia de hoje. Bom, pelo menos personagens como Jesus e Herodes de fato existiram, e até a estrela talvez tenha algum respaldo histórico, já que o cometa Halley passou por aquelas bandas mais ou menos no mesmo período em que a visita à criança teria acontecido – essa do Halley é uma explicação bastante improvável, mas possível.

Pouco importa, entretanto. Como sabemos, a “Bíblia” e seus evangelhos são a base da mitologia cristã e, como em qualquer mitologia, o importante é a simbologia, o significado que se cria a partir das histórias. Tomar tudo o que ali está escrito como registro factual seria de uma sandice enorme, não é mesmo?

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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