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De Bernardo Carvalho a Thalita Rebouças, de moçambicanos a procurador da Lava Jato: Flipoços mostra ecletismo, apesar das vacas magras

Rodrigo Casarin

21/04/2017 13h37

Luiz Ruffato e Bernardo Carvalho, nomes já consagrados da literatura nacional, Marcelo Maluf, Rafael Gallo e Nara Vidal, relevantes autores de nossa literatura contemporânea, Thalita Rebouças e Carina Rissi, escritoras que têm a rara chave para o sucesso junto ao público, a roteirista Tati Bernardi, o filósofo Clóvis de Barros Filho e até o procurador do Ministério Público Federal Deltan Dallagnol, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato. Todos eles estarão na Flipoços, que este ano chega a sua 12ª edição e acontece entre os dias 29 de abril e 7 de maio.

Como é possível perceber, o Festival Literário de Poços de Caldas, um dos eventos do segmento mais tradicionais do país, contará com uma programação bastante vasta e eclética – ao todo são mais de 90 convidados. “Procuramos não fazer distinção a ninguém, a nenhum assunto, a nenhuma classe social, a nada. Entendemos que quanto mais diversificado for o festival, mais teremos chances de integrar e incluir a todos”, diz Gisele Corrêa, organizadora e uma das curadoras do evento que este ano terá Milton Hatoum como patrono – ele, claro, também estará em uma das mesas.

Paulina Chiziane.

Para surpreender quem está acostumado com Mia Couto

Dentro dessa diversidade há uma comitiva de escritores de Moçambique, país homenageado do evento. São nomes como Ungulani Ba Ka Khosa, Lucílio Mantaje, Sangare Okapi, Dany Wambire, Rui Laranjeira, Mbate Pedro e Paulina Chiziane, apontada como a primeira mulher da nação africana a publicar um romance, isso em 1990. Além de participar de mesas, esses escritores realizarão ações na zona rural da cidade e alguns ainda lançarão trabalhos inéditos no Brasil – Mbate com “Vácuos”, por exemplo, seu terceiro livro de poemas.

“Digo que as pessoas que estão acostumadas apenas com a literatura de Mia Couto [o mais famoso dos autores moçambicanos] vão se surpreender. Verão que existe muito sentimento, riqueza e profundidade na escrita dos escritores que estarão aqui”, comenta Gisele. “Há muitos outros autores que fazem uma literatura tão boa quanto a do Mia e não têm visibilidade alguma. Um dos nossos objetivos é trazer para perto essa literatura diversa, pouco valorizada, mas de uma riqueza extrema. Queremos sempre sair do meio comum e repetitivo que temos visto por aí”, completa.

A ideia de ter Moçambique como país homenageado surgiu no ano passado, quando Mbate Pedro participou pela primeira vez da Flipoços. Já a vinda dos escritores para o Brasil se concretizou graças ao apoio do Ministério da Cultura de Moçambique, da Embaixada de Moçambique no Brasil, da Câmara Brasileira do Livro e das editoras Nandjala e Kapulana. “Curiosamente, nenhum órgão público brasileiro, como Secretarias de Estado de Minas e Ministério da Cultura, envolveram-se com esse assunto, que para mim é de grande importância. Uma pena, pois está sendo um momento único para a confluência literária entre Moçambique e Brasil”.

Marcelo Maluf.

“Só não cancelamos por conta da nossa persistência”

Apesar de não abrir valores, Gisele diz que esta 12ª edição da Flipoços está sendo a mais difícil em termos financeiros e que está trabalhando com um valor captado “ínfimo, quase zero”. Apesar disso, principalmente as parcerias permitiram que a festa fosse colocada de pé. “Só não cancelamos por conta da nossa persistência, amor ao evento e o compromisso que temos com o público. Falta muito apoio de empresas grandes, que estão acostumadas a patrocinar eventos literários. No entanto, elas normalmente não têm olhos para eventos no interior e menos midiáticos. Não somos um festival de elite apenas, mas para todos. Queremos de verdade mudar nossa sociedade e melhorar o lugar onde vivemos. E sobretudo, oferecer a todos acesso ao transformador mundo dos livros. Nisso que acreditamos”.

No que pese a época de vacas magras no país, Gisele ainda se queixa de entidades que utilizam a crise como desculpa. “O que mais me aborrece é determinada empresa que tem recurso, que sabe que temos a aprovação pela Lei Rouanet, que conhece nosso festival e com quem já estamos tentando patrocínio há anos, virar pra gente e dizer: ‘não temos dinheiro’. É lamentável certas empresas e pessoas ligadas ao marketing dessas empresas acharem que somos idiotas. Isso realmente me enraivece muito, mas não me intimida”.

A programação completa da 12ª edição da Flipoços e mais informações sobre o evento podem ser vistas aqui. Para quem tiver interesse, na tarde do sábado, dia 29, mediarei uma conversa entre os escritores Luiz Biajoni, Rafael Gallo e Marcelo Maluf (os dois últimos venceram o Prêmio São Paulo de Literatura do ano passado).

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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