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Caligari: Releitura em quadrinhos de clássico noir mantém clima sombrio e perturbador do filme

Rodrigo Casarin

21/03/2017 12h19

“O Gabinete do Doutor Caligari”, de Robert Wiene, foi lançado em 1920 e se transformou em um dos maiores clássicos do cinema. Na história, misteriosos assassinatos passam a ser cometidos em uma pequena cidade da Alemanha após a chegada do Dr. Caligari e do sonâmbulo Cesare. Marcado pela estética sombria, o longa virou a base para o cinema noir e para thrillers psicológicos, além de influenciar artistas de diversas outras áreas.

Um desses profissionais que foram profundamente impactados pelo filme é o desenhista e artista gráfico paulistano Alexandre Teles, que acaba de lançar uma releitura em quadrinhos do clássico: “Caligari!”, que sai pela Veneta. “’O gabinete do Dr. Caligari’ é um filme que literalmente ficou impresso na minha memória. Já usei cenas como referência para outros trabalhos visuais. Fazer e publicar ‘Caligari!’ foi uma forma de expurgá-lo, no bom sentido”, diz Teles.

Alexandre Teles, artista gráfico e ilustrador. Foto: Amana Salles.

A obra reúne mais de 600 imagens nas quais o artista recria perturbadores frames do longa por meio de monotipia, uma técnica de gravura. “Em 2010, estava trabalhando com gravura em metal à maneira negra. O processo consiste na abertura de sulcos em uma chapa de cobre para conseguir uma textura homogênea preta na impressão e, em seguida, polir a chapa onde se almeja o branco: a imagem se dá pelo desenho da luz e não da sombra. Por se tratar de um processo lento e maçante, após inúmeras conversas com colegas de trabalho, percebi que chegaria num resultado melhor ou igual ao que eu queria com a gravura através da monotipia, que não necessita que se grave na chapa, mas apenas se remova a tinta preta aplicada na superfície”, explica o autor.

Em seguida, enquanto trabalhava como maquiador e aderecista com um grupo de teatro que tinha como a principal referência estética o expressionismo alemão, passou a recriar algumas partes do filme de Wiene. “Essa referência estava presente em minhas gravuras, pinturas e ilustrações de forma direta ou indireta. Fui entrando cada vez mais no filme, me preocupando com os gestos e expressões dos atores e optei por recontar a história. Ao ler mais sobre a obra, vi uma oportunidade de adaptá-la fazendo uma versão mais próxima da dos roteiristas”.

Veja algumas imagens da releitura de “Caligari!”:

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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