Blog Página Cinco

De carona e sem saber onde dormir, publicitário passa dois anos viajando para tomar cervejas de todo o Brasil

Rodrigo Casarin

17/03/2017 10h24

Estrada e cerveja. Há tempos essas são as maiores paixões do publicitário Edson de Carvalho. Então, em 2014, quando estava com 34 anos, ele resolveu vender praticamente tudo o que tinha, devolver a casa onde vivia de aluguel, pegar sua mochila, sair de Curitiba e rodar o país para conhecer os bares, fábricas e, claro, as cervejas espalhadas pelo Brasil, principalmente as artesanais – a estimativa é que existam mais de 400 cervejarias atualmente por aqui. Iria se deslocar pedindo caronas e dormiria na casa de quem aceitasse abrigá-lo.

Aquela não era a primeira vez que Edson viajava dessa forma. Já tinha feito ousadias semelhantes por outros países, passando um trimestre, seis meses, um ano se perdendo por rodovias, vielas, picadas… Mas nunca uma dessas viagens tinha durado tanto quanto durou a expedição cervejeira: dois anos e meio. Rodou 20 mil quilômetros graças a 350 caronas, visitou 117 cidades de todos os estados do país e bebeu alguns respeitáveis barris da bebida fermentada – estima que tomava por volta de meio litro por dia, o que, ao cabo, daria cerca de 450 litros de cerveja, “isso se não foi mais”, pondera em entrevista ao blog.

Ao longo desse tempo, passou por incontáveis momentos felizes. Recorda-se com especial carinho das chegadas a cada estado ainda por desbravar, das pessoas inteligentes que encontrava e dos cervejeiros que batalham para construir um mercado em regiões distantes dos grandes centros, além de ter se deslumbrado ao conhecer as chapadas de Diamantina, dos Guimarães e dos Veadeiros.

Também passou por perrengues, claro, dois deles maiores do que quaisquer outros. “Primeiro o financeiro; nunca tive apoio constante durante a viagem. Tive que ir organizando cursos e palestras para me manter, reduzir ao máximo meus gastos e consumos e ainda assim ter toda disposição do mundo para enfrentar os desafios diários que uma viagem como essa coloca à sua frente. Outro perrengue era sempre que eu ia para a estrada, mas era, de certa forma, um perrengue divertido. O maior deles deve ter sido uma viagem pela BR 319, que liga Manaus a Porto Velho. Foram três dias de viagem de carona numa estrada de terra precária no meio da Amazônia em um caminhão caindo aos pedaços”. Mas garante que em nenhum momento se arrependeu da escolha pela estrada. “Nunca me passou pela cabeça desistir ou tive qualquer arrependimento. Sempre tive muita certeza do que estava fazendo e do que queria fazer”.

Cervejas e bares

Aí você deve estar se perguntando: tá, mas quais são as cervejas mais sensacionais que o viajante cervejeiro encontrou pelo caminho? Aqui Edson tangencia. “Essa não tem resposta. Provei muita coisa boa, muita cerveja ainda para melhorar, mas gosto é muito pessoal e acho que todos devem se permitir experimentar e tirar suas próprias conclusões”. No entanto, ao menos citou dois dos 345 bares que visitou: garante que merecem uma visita o Black Dog, em Belém do Pará, e BeerDock, em Recife, principalmente por estarem fora do eixo sul-sudeste.

Já sobre uma visão geral da cena cervejeira no país, Edson traz uma análise que mostra a discrepância que há entre as diversas regiões do Brasil. “O sul e sudeste ainda são os destaques desse mercado. É onde está a maioria dos produtores e consumidores, assim como os distribuidores, bares, lojas, importadores… Algumas cidades do norte e nordeste se destacam, como Recife e Belém. A Bahia é um grande estado e encontrei bares cervejeiros em várias regiões. O centro-oeste tem grande potencial, mas muito mal explorado. Eu sinceramente acredito que os próximos protagonistas serão os estados do norte e nordeste, ainda mais quando conseguirem implementar suas frutas e especiarias nas cervejas de forma criativa, e também aliar sua rica culinária junto com as cervejas artesanais”.

Daria um livro?

Ao cabo da viagem, toda registrada no blog Viajante Cervejeiro, o balanço de Edson é bastante positivo, principalmente por ter atingido o principal objetivo da empreitada: conhecer por todos os estados do país e mostrar por onde passava os bares e cervejarias que focam nas artesanais. Além disso, afirma que a experiência lhe proporcionou lições que levará para toda a vida, como conseguir viver com pouco dinheiro, adaptar-se a lugares e pessoas novas, bem como lidar com situações inéditas a cada dia, desenvolver ainda mais a paciência e baixar a expectativa perante as novidades.

Agora, para deixar a aventura definitivamente registrada, o viajante deseja lançar um livro contando sua empreitada e para isso busca apoio em um financiamento coletivo. “Acho que histórias devem ser compartilhadas. Nesse tempo viajando eu vivi muitas situações que fogem da rotina normal de uma pessoa e escrever sobre isso pode, de alguma forma, inspirar outras pessoas a saírem um pouco de suas zonas de conforto e se aventurar mais, nem que seja só nos finais de semana. Ir acampar em algum lugar que você nunca foi, fazer uma trilha nova, ir com algum amigo para estrada e arriscar pedir carona, ou seja, se permitir a viver mais intensamente em alguns aspectos. Eu acho que com as histórias que vou contar poderei plantar uma sementinha de viajante em cada leitor. A cerveja será o tema do livro, mas as histórias para chegar até ela é que serão as estrelas”.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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