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Série de livros com posfácio de Jean Wyllys leva universo LGBT a crianças

Rodrigo Casarin

12/04/2016 09h29

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Uma série de livros que convida principalmente crianças e jovens a pensar sobre o amor livre, a diversidade de gêneros e as liberdades individuais, promovendo valores como amor, respeito, tolerância e empatia. É essa a proposta do projeto "Amar Coletânea de Livres Infantis" – sim, livres, um jogo com as palavras "livre" e "livro". Da iniciativa nasceram quatro obras que flertam com clássicos da arte para abordar o universo LGBT e que contam com textos de apoio assinados pelo escritor Valter Hugo Mãe e o deputado federal Jean Wyllys.

nonada_bxAutora de mais de 20 livros infantis, a animadora Rosana Urbes, que já trabalhou nos Estúdios Disney, assina o "Safo", exemplar que dialoga com a obra da poetisa grega homônima. O ilustrador Mateus Rios e o cineasta Thiago Minamisawa são os responsáveis por "Eu", baseado no poema de Narciso, escrito por Ovídio. A artista plástica Cris Eich e o roteirista e jornalista Bruno Castro fazem uma homenagem a Guimarães Rosa e ao amor entre Diadorim e Riobaldo, personagens de "Grande Sertão: Veredas", em "Nonada". E, por fim, a artista Marcia Misawa e o cineasta e jornalista Vinícius Cardoso se inspiram em Frida Kahlo para, em "Existo", compor um caderno no qual uma criança transgênero relata suas histórias de descobertas e reflexões.

"A melhor maneira de construir uma sociedade sem preconceitos começa na infância. Nenhuma criança nasce preconceituosa: são os mais velhos que transmitem a intolerância como uma espécie de doença cultural que, depois, é muito mais difícil de curar. A educação é uma importante ferramenta de combate e transformação. Assim também é a literatura infantil, elemento fundamental para a formação de todos nós. Por isso, ela tem que ser diversa, como a vida mesma é, com gente de todas as cores e casais de todos os tipos e famílias tão diferentes como na realidade", escreve Wyllys em seu texto para o projeto.

"Devíamos ter medo de como as pessoas se odeiam e não de como se amam. Não entendo nem como podemos manter preconceitos ou estranhezas para com essa coisa incrível de encontrarmos metade do nosso coração em outra pessoa. Coração é um órgão de partilha que não pede muita licença nem dá muita explicação. O bonito de se ser pessoa é isso de não ter limite para amor, e o amor, de todos os jeitos, é sempre uma surpresa, até para quem fica fazendo planos, contas ou tomando decisões. Se for amor, ninguém vai decidir muito, vai apenas reconhecer. Por que razão, então, querer regrar o carinho de alguém? Carinho, cuidado, não se deve diminuir, só aumentar", aponta, por sua vez, Hugo Mãe.

Existo_bxCada livro da coletânea, que recebeu apoio do edital ProAC LGBT 2014, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, terá uma tiragem inicial de 4.000 exemplares, que estarão à disposição do público na rede de bibliotecas públicas estaduais e nas bibliotecas do Sesc São Paulo. A ideia dos idealizadores é, agora, captar verba por meio de financiamento coletivo para viabilizar a impressão de mais unidades, que serão doadas a escolas, bibliotecas e centros culturais de todo o país.

Os livros da série "Amar Coletânea de Livres Infantis" são amplamente ilustrados e os originais desses desenhos estarão expostos na Casa das Rosas, em São Paulo, entre hoje (quando acontece a abertura oficial da exposição que marca o lançamento da coleção, às 18 horas) e o dia 30 deste mês. Nos dias 23 e 24 ainda haverá oficinas de arte para crianças e adultos e mesas de debate sobre literatura, infância e diversidade.

Veja uma página que cada livro (clique nas imagens para ampliá-las):

Eu

Eu

Existo

Existo

Nonada

Nonada

Safo

Safo

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.