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Página Cinco

Números do mercado editorial encolheram e livro ficou mais caro em 2014

Rodrigo Casarin

03/06/2015 13h06

Há pouco foi divulgada a pesquisa "Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro" da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), feita em parceria com a CBL (Câmara Brasileira do Livro) e a SNEL (Sindicato Nacional dos Editores de Livros), sobre o mercado editorial em 2014. O resultado, como já era de se esperar, não é nem um pouco animador: acompanhando a crise econômica do país, os números, no geral, encolheram, muito porque o governo da "pátria educadora" anda investindo menos em livros. Além disso, o preço do livro subiu e o brasileiro está comprando menos obras gerais e técnicas, privilegiando as didáticos e religiosas. Os digitais, ao menos, vão bem, ainda que de maneira bastante tímida.

No total, se comparado com 2013, em 2014 houve uma redução de 9,23% nos livros vendidos no país (479.970.310 contra 435.690.157). O crescimento nominal do mercado livreiro em 2014 foi de 0,92% (cerca de R$5,5 bilhões contra R$5,3 bilhões em 2013), o que, se defrontado com a alta de 6,41% da inflação no ano passado, representa, na realidade, um encolhimento de 5,16%.

A principal razão para tal é que os órgãos governamentais investiram 15,98% a menos nos livros em 2014 (por volta de R$1,24 bilhão, sendo que, em 2013, o número foi de R$1,47 bilhão); consequentemente, o número de exemplares adquiridos também caiu: foram aproximadamente 200 milhões em 2013 e 158 milhões em 2014, uma variação negativa de 20,97%. Essa redução só não foi maior porque o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) aumentou em 162,37% seus investimentos em livros no ano passado, enquanto o PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) diminuiu 20,10%, o PNAIC (Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa), 33,96%, e outros órgãos governamentais, 54,93%.

Já o mercado comprou menos exemplares (queda de 0,81%), mas faturou mais (crescimento nominal de 7,33% e real de 0,86%, aproximando-se dos números da economia como um todo). Nesse setor, houve um aumento na procura pelos didáticos e obras religiosas, cujas vendas cresceram 10,54% e 1,29%, respectivamente. Ao mesmo tempo, caiu o interesse pelas obras gerais (-5,43%) e os chamados CTP (Científicos, Técnicos e Profissionais; -6,13%). Para o mercado, o preço médio do livro ficou em R$15,03, um número 8,22% maior que em 2013, representando uma elevação real de 1,7%. Ou seja, livro ficou indiscutivelmente mais caro.

O que se mantém em alta são as vendas dos livros digitais. As editoras que participaram desse braço da pesquisa possuem, no total, um acervo de 35 mil títulos virtuais, que, em 2014, tiveram um faturamento de R$17 milhões, R$4 milhões a mais do que em 2013. Entretanto, isso ainda significa apenas 0,3% do mercado como um todo. Nesse formato, ao contrário dos livros físicos, as vendas são dominadas pelas obras gerais e pelos CTP, que, somados, representaram mais de 90% do faturamento.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.