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Passou o carnaval sem abrir um livro? Eis sete histórias para ler em um dia

Rodrigo Casarin

16/02/2018 12h40

Já sei o que aconteceu. Carnaval chegou: a folia, os churrascos e as cervejas dominaram a programação do feriado, você contrariou os planos para este ano e passou praticamente toda a semana sem abrir um livro, sem ler uma linha sequer (excetuando mensagens no celular, é claro). Não tem problema, todos passamos por essas fases da vida – ou do ano. Se bateu algum peso na consciência pelo tempo que você ficou longe dos livros, deixo aqui uma lista com sete bons títulos que podem ser lidos em algumas poucas horas de um mesmo dia, uma ótima alternativa para colocar as metas de leitura novamente nos eixos:

Olhos de Carvão” (Record), de Afonso Borges: é de extrema potência esse primeiro livro de contos do mineiro Afonso Borges, que consegue, com precisão, colocar o leitor frente a situações que podem se passar em lugares díspares como a Faixa de Gaza, onde um moço encontra paz nos livros enquanto bombas estouram, e o lusco-fusco da Tomé de Souza, na Savassi, em Belo Horizonte. Impressiona como o autor desenvolve narrativas fortes em textos que raramente ocupam mais do que três ou quatro páginas.

Acre” (Todavia), de Lucrecia Zappi: autora também de “Onça Preta” (Benvirá), Lucrecia escreveu um dos livros nacionais mais elogiados do ano passado: “Acre”. Na história, o relacionamento de um casal é abalado após um ex-namorado da mulher se mudar para o mesmo apartamento onde ela vive com o seu atual companheiro, antigo desafeto do novo vizinho. Um livro sobre brigas nunca resolvidas, sobre antigas feridas. Com 208 páginas, é a leitura mais longa da lista.

“LER MAIS” É UMA DAS SUAS RESOLUÇÕES DE ANO NOVO? VEJA ESSAS DICAS

A Metamorfose”, de Franz Kafka: um dos textos mais famosos do século 20, “A Metamorfose” traz a história de Gregor Samsa, caixeiro-viajante que certo dia acorda e se vê transformado em um inseto – algo entre um besouro e uma barata. A partir da premissa absurda, Kafka fala sobre rejeição, medo e a dificuldade de encontrar um lugar em seu próprio mundo (no caso do protagonista, um lugar na própria casa, junto com sua família). Na imagem acima mostro a edição da Companhia das Letras, mas há outras por aí.

O Espírito dos Meus Pais Continua a Subir na Chuva” (Todavia), de Patricio Pron: recém-lançado no Brasil, é bom este livro de Patricio Pron, argentino que atualmente vive em Madri. Na obra, o narrador reconstrói a história da própria família, que fez parte da resistência à ditadura no país vizinho, enquanto o pai está moribundo em um leito de hospital. “Seu pai não lamenta ter lutado essa guerra; só lamenta ter perdido”, diz a mãe do personagem em um dos momentos mais fortes da narrativa.

Bartleby, O Escrivão”, de Herman Melville: sabe quando bate aquela vontade de não fazer nada? Pois se isso acontece frequentemente contigo, você irá se identificar com Bartleby, jovem que tem a frase “Preferia não fazê-lo” como norte para a vida. O constante não fazer leva o personagem a uma paulatina inanição. É mais um clássico – este do século 18, assinado pelo mesmo autor de “Moby Dick” – com boas doses de absurdo publicado por diversas casas, algumas optando por traduzir o título para “Bartleby, O Escrevente”.

OS SETE LIVROS QUE FARÃO VOCÊ TOMAR GOSTO PELA LEITURA EM 2018

Sul” (Editora 34), de Veronica Stigger: um dos finalistas do prêmio Oceanos de 2017 – que foi para “Karen” (Todavia), de Ana Teresa Pereira -, “Sul” reúne um conto, uma peça teatral e um poema. Com diversas passagens brutais, cabe ao leitor construir, se quiser, sua própria interpretação para como as três peças dialogam ou se completam.

O Cão que Guarda as Estrelas” (JBC), de Takashi Murakami: não é a primeira vez que indico este livro aqui no blog, mas, sempre que passo os olhos pela minha estante, fico com vontade de reafirmar o quanto esta HQ é boa – e triste, extremamente triste. Na história, as memórias de um cãozinho que não entende por que seu “papai” humano sumiu após um acidente e busca se reencontrar com o único companheiro. Não por acaso, ganhou o prêmio “Livro para Chorar”, oferecido pelo “Da Vinci Book of the Year”. Também vale ler sua continuação, “O Outro Cão que Guarda as Estrelas” (dá para encarar os dois numa sentada só).

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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