Blog Página Cinco

Os Estados Unidos invadiram o Iraque para ter acesso a um portal interestelar?

Rodrigo Casarin

07/04/2017 12h34

Adolf Hitler fingiu morrer para escapar da guerra e tocar sua vida na região central do Brasil, no Mato Grosso? Fidel Castro era somente um robô criado para tomar conta de Cuba? Achou as duas perguntas absurdas? Olha essa, então: os Estados Unidos invadiram o Iraque não por causa de Saddam Hussein ou do petróleo da região, mas para ter acesso a um portal interestelar que estaria escondido nas ruínas da antiga Suméria?

Parece maluquice responder “sim” para qualquer uma dessas questões, certo? Elas são, na verdade, teorias conspiratórias que circulam pelo mundo. O jornalista Edson Aran reuniu centenas desses aparentes absurdos em “O Livro das Conspirações”, publicado pela Suma das Letras. Algumas outras perguntas que podem ser elucidadas – ou ficarem ainda mais confusas – com a leitura da obra: Lady Gaga é uma Illuminati? O apocalipse zumbi é real? Brasília é um monumento ao deus egípcio Aton? Claro, também estão ali algumas das conspirações mais conhecidas do grande público, como as que envolvem o Triângulo das Bermudas, os “Os Protocolos dos Sábios de Sião” e Jesus e Maria Madalena.

Aran encara essas teorias como uma vertente da literatura fantástica, algo que distorce o mundo para apresentar uma outra realidade estranha e perturbadora. “Toda narrativa existe para dar um sentido ao universo, não importa o formato. Conto, romance, dissertação de mestrado, tratado histórico, tese sociológica, manifesto político, mensagem divina: é tudo narrativa. De certa forma, é tudo ficção. Mesmo quando os autores acreditam que não escrevem ficção”, aponta no prefácio do livro.

Indo além, Aran ainda propõe que as conspirações apresentadas no título são tão verdadeiras quanto as versões oficiais dos fatos. “A linha divisória entre ficção e não ficção é tênue e talvez nem devesse existir. Quando alguém denuncia uma conspiração, seu desejo é mostrar como o mundo se move; quando alguém inventa uma conspiração, o objetivo é fazer com que o mundo se mova. Tem diferença? […] O sentido da vida é que todos nós vivemos num mundo ficcional que, no entanto, precisa ser levado extremamente a sério. A economia, as religiões, as teorias, os heróis, a história. É tudo falso. Logo, é tudo verdade. Pois é. É um paradoxo, mas não se preocupe. Só se lembra de uma coisa: é sempre a realidade que imita a ficção, nunca o contrário”.

Certo, mas, afinal, e as respostas para as perguntas que abrem a matéria?

A ideia de que o genocida alemão teria vindo para o Mato Grosso está no livro “Hitler no Brasil”, de Simoni Reneé Dias, e parece tão plausível quanto as especulações de que ele poderia ter fugido para o centro da Terra ou para a parte escura da lua – sim, há quem diga isso. A suposição de que Fidel seria um robô foi criada por Agustín de Rojas, escritor de literatura fantástica que elaborava narrativas com cosmonautas comunistas – o barbudo era mesmo de carne e osso. E a teoria de que os Estados Unidos estaria atrás de um portal ao invadir o Iraque surgiu porque historicamente ligam a região a diversos fenômenos importantes para o universo da ufologia.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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