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Ruth Rocha: “É um mito achar que no passado as crianças liam mais”

Rodrigo Casarin

17/03/2017 14h18

Aos 86 anos, a escritora Ruth Rocha continua na ativa, tanto que está lançando dois novos livros: “Mais Duas Dúzias de Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz” e “Novas Duas Dúzias de Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz”. Os volumes irão compor a série “Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz”, criada por Otavio Roth em 1993 e que está sendo retrabalhada pela editora Salamandra. Para marcar a novidade, Ruth estará neste sábado (18) na Livraria da Vila da Fradique Coutinho, em São Paulo, para oficinas, uma roda de conversa e tarde de autógrafos – a programação começa às 14h.

Autora de mais de 200 livros que venderam milhões de exemplares e foram traduzidos para 19 idiomas diferentes, ao longo de sua obra, dedicada essencialmente ao universo infantil, Ruth sempre tratou de ética e criticou o autoritarismo. Esses traços também estão refletidos na conversa que tive com ela por telefone, na qual falou sobre como são as crianças de hoje e do permanente sucesso de “Marcelo, Marmelo, Martelo”, seu maior clássico. Autora de “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, feita justamente em parceria com Roth, a escritora também comentou o momento político que o mundo vem atravessando.

Novos livros

“A série ‘Coisinhas à Toa que Deixam a Gente Feliz’ fez muito sucesso nos anos 1990, quando o Roth lançou os dois primeiros livros, mas como ele morreu cedo, ela acabou ficando meio esquecida. Então tive a ideia de fazer outros dois volumes para lançar a coleção toda. Acho que ficaram bonitinhos, fizemos uma edição linda”.

Coisinhas à toa que deixam Ruth Rocha feliz

“Grandes felicidades ocorrem poucas vezes na vida. Mas pequenas felicidades acontecem todos os dias: o telefonema de um amigo querido, ganhar um presente ou lembrancinha, descobrir uma história gostosa… Essas eu tenho muitas. Qualquer sorvete me diverte”.

Criança hoje

“A única diferença com relação às crianças do passado é a educação, para o bem e para o mal. Hoje a educação é mais permissiva, em alguns casos mais informal, mais carinhosa, menos punitiva. Para o mal é isso tudo em exagero: crianças mimadas, crianças que fazem o que querem… Mas as crianças não mudaram profundamente, elas continuam com um desenvolvimento motor, físico e intelectual previsível, as etapas continuam acontecendo. O que vemos é diferença só na educação mesmo”.

“Marcelo, Marmelo, Martelo”

“O ‘Marcelo, Marmelo, Martelo’ é o livro que mais vendo e ele foi publicado em 1976. É um livro antigo que conversa com crianças de diferentes épocas, então muita modificação não houve. Há crianças mais espertas hoje porque as pessoas conversam mais com elas, dão o direito delas falarem. Quando eu era pequena, muita gente dizia que criança era pra ser vista, não ouvida. Pelo menos na minha casa não tinha isso, lá era muito democrático. Hoje, quem educa bem ouve a criança, deixa ela perguntar. A criança ficou mais interessante”.

Leitura

“Livreiros tem se queixado de vender pouco, livrarias grandes estão fechando, há mesmo uma crise. Livros infantis ainda vendem bem, no entanto. Na minha época de estudante não tinha biblioteca e as crianças não liam nada. Estudei no Bandeirantes [colégio tradicional de São Paulo] e lá eu não tinha com quem conversar sobre Monteiro Lobato, por exemplo. É um mito achar que no passado as crianças liam mais”.

Direitos Humanos

“Direitos Humanos continuam sendo algo extremamente importante, talvez até mais importante hoje do que há algumas décadas. A direita política vem crescendo perigosamente em vários países, inclusive no Brasil, e isso é uma ameaça cada vez maior, muito grave, a esses direitos, que precisam ser prezados”.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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