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Francês transforma vilarejo eternizado por Monet em palco de romance policial à Dan Brown

Rodrigo Casarin

monet pponte

Giverny é uma cidadezinha no norte da França repleta de belos jardins, charmosos lagos e que possui menos de mil habitantes. Apesar dos poucos moradores, o lugar, no entanto, está longe de ser pacato. É que ali viveu Claude Monet, um dos principais nomes do impressionismo, que se inspirou naquelas paisagens para pintar muitos de seus quadros, como o famoso retrato da ponte japonesa, reconstituição de uma das vistas de sua casa que permanece intacta, servindo de destino para uma infinidade de turistas.

É nesse canto da França eternizado por Monet que Michel Bussi ambienta o seu novo romance, “Ninfeias Negras”, lançado no Brasil pela Arqueiro, que dialoga com a série de quadros na qual o pintor retratou as plantas aquáticas de Giverny. “Eu queria contar a história de algumas mulheres que amavam pintar, sendo uma delas uma garotinha muito talentosa. Como Monet é um famoso pintor da Normandia, imediatamente Giverny se tornou o cenário da minha história. A ideia é que o romance fosse um suspense escrito de maneira ‘impressionista’, com pequenos toques, uma dose de poesia e usando um monte de cores. É um romance com uma atmosfera muito especial”, conta o autor.

Ninfeiasnegras_CapaWEB

Em um dos riachos da pequena cidade, um importante médico local é encontrado morto. Logo de cara, investigadores se dão conta de que o crime foi praticado em três atos, com elementos aparentemente simbólicos estando por trás de cada decisão do assassino ou do grupo de assassinos. Conforme as investigações avançam, descobrem também que o morto, um apaixonado colecionador de quadros, tinha uma vida muito mais escusa do que aparentava inicialmente. Três mulheres, justamente as que Bussi se referiu há pouco, parecem estar diretamente ligadas ao mistério por trás daquele assassinato: uma garota de 11 anos que sonha ser pintora, a professora da escola local e uma idosa que observa tudo o que se passa na cidadezinha da janela de sua casa.

Os trabalhos de Monet, claro, também aparecem como elementos decisivos na narrativa. Sim, impossível não lembrar de Dan Brown e os segredos supostamente ocultos por trás de obras de artistas consagrados. O próprio Bussi assume certa semelhança. “Talvez [a comparação seja válida] pelo enredo cheio de voltas e reviravoltas e também por eu usar a geografia de um lugar, toná-lo misterioso e, quem sabe, despertar o desejo nas pessoas de visitá-lo”.

Um futuro livro sobre imigrantes?

Autor também de “O Voo da Libélula”, Bussi já vendeu mais de 3,5 milhões de exemplares pelo mundo, foi traduzido para 33 línguas e ganhou 15 prêmios, o que lhe alçou à condição de um dos principais nomes da literatura policial contemporânea de seu país -“Ninfeias Negras” é o seu 11º livro. Além de escritor, o francês também é professor universitário de Geografia e comentarista político. Misturando todas as frentes de atuação e levando em conta o momento vivido pela Europa com relação aos imigrantes que o escritor vislumbra o que pode vir a ser um de seus próximos trabalhos ficcionais:

“Cada imigrante é um ser humano que deixa tudo, arrisca tudo, para ir atrás de seu sonho. No entanto, muitas vezes os europeus são indiferentes aos dramas deles. Então, escrever sobre o destino dos imigrantes é algo emocionalmente muito forte e fazer isso é uma espécie de obrigação no mundo em que vivemos, no qual palavras e sonhos podem cruzar as fronteiras, mas homens e mulheres estão proibidos de fazê-lo”.

Michel Bussi.

Michel Bussi.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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