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“Queria montar no meu próprio dragão”, diz autora de série que já vendeu mais de 750 mil exemplares no Brasil

Rodrigo Casarin

cressida

“Quando eu era jovem, realmente queria montar no meu próprio dragão, eles representam aventura e diversão. Mas os dragões também representam a selvageria do mundo natural e nossa tentativa de domesticá-lo, bem como a necessidade de cuidarmos dele. Esta foi a ideia inicial para o livro. No entanto, ao longo da série, há um aspecto que sofre uma ligeira mudança. No começo a questão é: ‘os dragões realmente existiram?’, contudo, mais tarde, passa a ser ‘se os dragões existiam, onde estão agora? O que aconteceu com eles?’”.

É assim que é a escritora e ilustradora inglesa Cressida Cowell encara o dragão enquanto ser mitológico e como tema de sua renomada série “Como Treinar o Seu Dragão”. “Como Combater a Fúria de Um Dragão”, o décimo segundo e último livro da coleção, está sendo lançado no Brasil pela Intrínseca. No país, a saga que mistura humor, ação e mensagens inspiradoras já vendeu mais de 750 mil exemplares, acompanhando o fenômeno mundial – no planeta são 7 milhões de unidades comercializadas em 37 línguas distintas. Além disso, “Como Treinar Seu Dragão” já ganhou duas adaptações para o cinema – a terceira está prometida para 2019 – e uma série animada, a “Dragões: Pilotos de Berk”.

A relação de Cressida com os imponentes monstros vêm da sua infância. Ela cresceu vivendo entre Londres e uma pequena ilha pouco habitada próxima à Escócia, onde costumava ouvir seu pai lhe contar histórias sobre os dragões que habitavam o lugar – algo que a fascinava e, ao mesmo tempo, amedrontava. Para ela, aqueles eram momentos mágicos. “Acho que ler com as crianças, mesmo quando elas já são um pouco maiores, é algo muito importante. Os livros lidos com a voz dos pais ficam com a pessoa para toda a vida, por isso que adoro quando me dizem que famílias leem meus livros juntas. Às vezes eu ficava com medo das histórias que meu pai me contava, mas é exatamente a isso que narrativas são destinadas: fazer com que a pessoa sinta algo, fazer rir, chorar ou até mesmo ter medo. Às vezes é divertido estar com medo, veja quantas pessoas gostam de histórias de fantasmas”, diz a autora.

Desde então essas narrativas contadas pelo pai habitam a imaginação de Cressida e possuem uma conexão direta com a série “Como Treinar Seu Dragão”. Aos nove anos que ela escreveu suas primeiras histórias e esboçou desenhos dos seres mitológicos. “Jamais esqueci disso, mesmo que o livro de estreia da coleção tenha sido publicado mais de 20 anos depois. Digo para as crianças que os doze livros, filmes e um programa de televisão nasceram na minha cabeça quando eu tinha nove anos, então é importante que sempre sigam lendo e escrevendo, porque podem ter uma ideia que só publicarão daqui muitos anos”.

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Lidando com os próprios dragões

No derradeiro volume da série, a longa batalha pelo destino dos vikings e dos dragões encaminha para o fim. Soluço Spantosicus Strondus III, guerreiro magrelo que maneja uma espada como poucos e é uma das raras pessoas a falar o idioma “dragonês” precisa desbancar Alvin, o Traiçoeiro, assumir o trono e evitar que seu rival coloque em prática o plano de aniquilar todos os dragões. Ao mesmo tempo, Soluço tem que domar o dragão-marinho Furioso, que iniciou uma rebelião para exterminar a humanidade. O enredo de “Como Combater a Fúria de um Dragão”, bem como os personagens de nomes curiosos que muito dizem sobre suas personalidades, dá o tom de toda a série.

A autora atribui o sucesso mundial da “Como Treinar o Seu Dragão” a alguns temas universais que ela aborda, além de assuntos que comumente despertam empatia: o crescimento das crianças, relacionamento entre pais e filhos, o que faz da pessoa um bom líder, a proteção da natureza… “Não esperava pelo sucesso e acho isso positivo, se não, teria muita pressão em cima do meu processo criativo”, reconhece a Cressida. Os filmes, claro, também ajudaram a alavancar os livros. “Amo o fato deles terem capturado o espírito de aventura das minhas histórias”.

E na vida real, a literatura pode ajudar as pessoas a lidarem ou treinarem seus próprios dragões? Para Cressida, sim. “Livos são como abrir portas para outros mundos, e ler ficção é a melhor forma de encorajar a empatia em uma criança, uma característica muito importante. Quando alguém vê um filme, por exemplo, toda a ação acontece na tela, mas quando lê um livro, tudo se passa dentro da cabeça”, compara.

Cressida ainda cita um trecho de “O Sol é Para Todos”, de Harper Lee, que diz: “Você nunca compreende realmente uma pessoa até que considere todas as coisas pelo seu ponto de vista, até vestir sua pele e caminhar com ela por aí” para, na sequência, estabelecer um paralelo entre a frase a maneira que encara o ato de ler. “Livros são o único meio que permite que você faça isso, estar na pele de outra pessoa. A literatura também faz da pessoa não apenas uma grande leitora, mas uma grande pensadora. Muitos estudos apontam que a leitura por prazer – e aqui é importante a ênfase no prazer – tem um enorme impacto não só na vida escolar das crianças, mas também no seu sucesso econômico quando adultos. Então, sim! A literatura pode nos ajudar a treinar dragões”.

Veja ilustrações da série feitas pela própria autora:

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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