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Inconformado com políticos? Você precisa conhecer o homem que Napoleão chamou de “traidor perfeito”

Rodrigo Casarin

 

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Dilma caiu, mas caiu com um silêncio sepulcral, como se não quisesse causar mal àqueles que a afligiam. Lula bradou contra o “golpe”, mas há pouco abraçou Temer e disse que estava disposto a ajudar no que fosse preciso. Temer, aliás, de uma hora para outra passou de uma figura distante de qualquer protagonismo – de vice-decorativo, como ele mesmo se intitulou – para o presidente da república responsável por indicar o sinistro e suspeito Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal. Isso para citar só alguns dos recentes nomes em destaque na escala federal, mas ainda poderíamos colocar uma infinidade de políticos nessa lista: Serra, Alckmin, Sarney…

Você se surpreende com a desfaçatez desses homens? Então precisa conhecer a biografia do francês Joseph Fouché, tratado por Napoleão Bonaparte como “o traidor perfeito”. Nascido em 1759, ao longo de toda sua carreira política Fouché fez de tudo para se manter no poder. Nunca deixava muito claro o que pensava, gostava de ficar à sombra, longe dos holofotes, não via problema algum em passar a perna em seus aliados e apostava na cara de pau para tomar decisões e assumir cargos contraditórios. Quando o rei Luis XVI estava prestes a cair, Fouché era inicialmente seu aliado, mas não viu problemas em votar pela decapitação do mandatário quando percebeu que se mantivesse a posição inicial ficaria do lado dos derrotados.

Durante a Revolução Francesa, começou junto dos revolucionários e foi encaminhado a Lyon, onde comandou revoltas e ordenou a execução de mais de mil pessoas, o que lhe valeu o título de “O carniceiro de Lyon”. No entanto, quando percebeu que o apreço pela guilhotina e pelos fuzilamentos estava diminuindo e a carnificina começava a ser punida nos tribunais, mudou de postura. Reduziu drasticamente a matança e posou como um piedoso herói. Depois disso que, nos bastidores, passou a articular para que Maximilien de Robespierre, um dos principais nomes da Revolução e ex-aliado que se tornara seu desafeto, fosse guilhotinado em 28 de julho de 1794.

Em 1797, Fouché já fazia parte do governo que assumiu após a morte de Robespierre, no qual se tornou ministro da Polícia, cargo que lhe permitiu descobrir que Napoleão Bonaparte planejava um golpe de estado. Claro, notou que logo precisaria tomar um novo partido.

Napoleão sempre desconfiou de Fouché, mas como este acabou ganhando simpatia popular, não poderia simplesmente aniquilá-lo politicamente, então tratava de mantê-lo longe. Pouco adiantou. Quando Napoleão começou a perder batalhas consecutivas e se enfraquecer, o ardiloso tratou de se aliar ao rei Luis XVIII, que almejava ocupar o cargo que pertencera ao seu irmão guilhotinado alguns anos antes. É entre a queda de Napoleão e a ascensão do novo Luis que Fouché vive cinco dias como mandatário máximo da França.

Depois de passar pelo cargo mais alto que já assumira, todos sabiam que Fouché estava longe de ser alguém confiável. Então, o novo rei toma a mesma decisão de Napoleão e resolve mantê-lo afastado, longe do país. Primeiro é mandado para a Alemanha e, em seguida, é banido da França. Viveu o resto da vida exilado em lugares como Praga, Linz e Trieste, até morrer em dezembro de 1820.

Se para Napoleão Fouché foi um traidor perfeito, para Balzac ele era um “gênio singular”, um dos personagens mais interessantes da história de seu país. Muitos ainda o consideram o Maquiavel da era moderna. No entanto, é a definição de Stefan Zweig, autor da biografia “Joseph Fouché”, publicada no Brasil pela Zahar, que aproxima definitivamente o francês de todos os políticos citados no começo do texto (e de incontáveis outros, é claro): Fouché foi o retrato de um homem político.

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Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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