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Com Jô Soares e Drauzio Varella, Tony Belloto reúne time de peso para entender São Paulo por meio de seus crimes

Rodrigo Casarin

jo e drauzio

Uma cidade pode ser vista e interpretada de diversas formas. A maneira que Tony Bellotto escolheu para tentar entender São Paulo foi por meio de seus crimes. E o titã autor de livros policialescos como “Bellini e a Esfinge” não fez isso sozinho, mas contou com um time de extremo peso literário: Marcelino Freire, Olivia Maia, Beatriz Bracher, Maria Carvalhosa, Fernando Bonassi, Marcelo Rubens Paiva, Marçal Aquino, Jô Soares, Mario Prata, Vanessa Barbara, Ferréz, Ilana Casoy e Drauzio Varella.

Todos eles criaram contos para a coletânea “São Paulo Noir”, publicada pela Leya, que traz histórias de suspense e dramas urbanos que não são apenas ambientados na cidade cinza, mas parecem que somente nesta megalópole é que poderiam realmente transcorrer. Nesse sentido, na narrativa de Drauzio Varella acompanhamos a trajetória extremamente conturbada, marcada por episódios dos mais diversos tipos de violência, de Margot, moça que nasce e cresce em Iranduba, cidadezinha próxima de Manaus, e passa por cantos do norte e do nordeste até chegar em São Paulo, onde percebe que cresceu na vida por ter um cantinho ajeitado para morar. A migração e os sofrimentos que a personagem sofre e causa podem ser vistos como símbolo da cidade.

“Margot”, de Drauzio, é o melhor conto do livro, mas “Teresão”, de Mario Prata, também é muito bom. Com seu humor característico, o autor cria uma cidadã de 45 anos que “é gorda, rica e não faz nada na vida a não ser comer, beber, dormir e outras necessidades inerentes ao ser humano. Como tentar emagrecer”. E comete certas loucuras para isso, como pedir para um dentista costurar seus dentes para que não consiga mastigar e até encomendar o próprio sequestro imaginando que o cativeiro poderia lhe servir de spa. Por meio do pensamento de Teresão, Prata ainda nos brinda com um bom resumo do paulistano médio: “Saudades da Paulista toda amarela, aquela frase ‘deviam ter matado todos em 64’ me tocou tanto… O Brasil teria sido bem melhor sem os petralhas. Quanta informação, quanto cultura aprendi no Facebook”.

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O humor também está presente em “Meu Nome é Nicky Nicola”, sobre um atrapalhado detetive criado por Jô Soares, e “Contaminação Cruzada”, de Vanessa Barbara, um dos poucos a olhar para a zona norte da cidade. Seguindo a linha mais política temos “Atendimento 24 Horas”, de Fernando Bonassi, que segue o tom crítico que o autor empregou no seu último romance, “Luxúria”, ainda que focando em outra classe, a dos mandatários.

Explorando bem a geografia da cidade há “Panamericana”, de Beatriz Bracher e Maria Carvalhosa, que se passa principalmente nos entornos cheio de mosquitos da praça que “na verdade é só uma imensa rotatória”. Os dramas ficam principalmente para “Como se o Mundo Fosse um Bom Lugar”, de Marçal Aquino, “Fluxo”, de Ferréz, e “Qualquer Semelhança Não É Mera Coincidência”, de Marcelino Freire.

Um dos escritores mais badalados da coletânea, Marcelo Rubens Paiva, ironicamente, entrega o conto mais fraco do volume: “Baixo Augusta” se perde entre uma longa tentativa de recontar a história da famosa rua e sonolentas cenas de jogatinas. É mesmo a narrativa que foge do bom tom empregado em “São Paulo Noir”. Nele ainda temos mais um episódio envolvendo Bellini, o famoso detetive criado por Bellotto, cujo texto, “Diário Inútil”, tem um começo à Camus, e dignos retratos de Olivia Maia e Ilana Casoy para, respectivamente, as regiões da Sé e de Cidade Jardim.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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