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Manuscritos originais revelam um Machado de Assis titubeante e de péssima caligrafia

Rodrigo Casarin

24/01/2017 11h16

machadao

A Academia Brasileira de Letras (ABL) disponibilizou recentemente em seu site os originais de três trabalhos de Machado de Assis: os romances “Esaú e Jacó”, de 1904, e “Memorial e Aires”, de 1908, e o poema “O Almada”, publicado somente em 1910, dois anos depois da morte do autor.

O primeiro fato que pode ser constatado ao ver os escritos de Machado é como sua caligrafia era bastante sofrível (antes que alguém venha com pedras, já assumo que a minha é ainda pior). Veja os garranchos que compõem “O Almada”:

o almada

o almada2

Sim, outro detalhe, este muito mais interessante, é poder observar o processo de criação de Machado, como ele ia e vinha no texto até encontrar o formato que julgava ideal, comprovando que mesmo os gênios – ou principalmente eles – dispendem muita energia até dar forma final à arte. Em “Memorial de Aires”, por exemplo, notamos que o escritor titubeava principalmente com relação às personagens Fidélia e Dona Carmo, que tiveram seus nomes trocados algumas vezes. Eis uma amostra de que era Carmo, virou Fidélia e voltou a ser Carmo:

memorial de aires p 32

Também é curioso perceber a grafia de certas palavras para a época. Em uma visita rápida aos originais, deparamo-nos com “paciencia”, “tambem”, “hipotese” e “ciencia” – sim, todas elas sem acento, e isso para ficamos apenas em algumas citações. Veja:

esau e jaco p 41

esau e jaco p 111

memorial de aires p 23

As grafias, no entanto, não eram deslizes do Bruxo do Cosme Velho, mas formas correntes na época. Segundo Sérgio Rodrigues, autor de “Viva a Língua Brasileira!”, inclusive aparecem no dicionário “Constâncio” de 1868.

Anteriormente esses originais só estavam disponíveis na sede da própria ABL. A digitalização é parte de um projeto que deverá, aos poucos, deixar on-line todos os manuscritos de Machado guardados na Academia. Quem tiver interesse em ver o trabalho do autor em “Esaú e Jacó”, “Memorial e Aires” e “O Almada”, basta seguir o caminho aqui explicado.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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