Blog Página Cinco

25 anos de Nevermind: autores nacionais celebram Nirvana em livro de contos

Rodrigo Casarin

30/09/2016 11h29

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Há 25 anos o Nirvana lançava “Nevermind”, que colocou a banda como uma das principais não apenas da década de 90, mas de toda a história do rock. De lá pra cá, mais de 30 milhões de cópias do álbum foram vendidas e o trabalho se tornou fonte de inspiração para muita gente. É o caso do crítico literário e escritor Sérgio Tavares, que resolveu criar uma antologia de contos com autores nacionais para celebrar o aniversário de um quarto de século da obra-prima de Kurt Cobain, Dave Grohl e Krist Novoselic.

“Sempre gostei desse encontro entre música e literatura, de antologias constituídas de contos inspirados em canções”, diz Tavares. Por aqui, dois livros do tipo que fizeram sucesso foram “O Livro Branco”, inspirado nos Beatles, e “Como se Não Houvesse Amanhã”, baseado na Legião Urbana, ambos organizados por Henrique Rodrigues.

nirvana_nevermindDepois de colaborar com edições temáticas da revista literária Flaubert que Tavares teve a ideia de realizar o trabalho em homenagem ao Nirvana. “Apresentei aos editores, que toparam de imediato. Para tanto, escolhi uma banda icônica para minha geração, cujo álbum máximo estava prestes a completar 25 anos. O ‘Nevermind’ foi a trilha sonora da minha adolescência. Além disso, havia o desafio de criar sobre as letras do Kurt, repletas de camadas e afeitas a uma infinidade de interpretações”, explica o organizador. Não por acaso o livro leva o sobrenome do líder da banda: “Cobain”.

Em seguida, Tavares definiu que o volume teria 25 autores – “para casar com a data”. Como isso extrapola o número de músicas de “Nevermind”, que tem 12 canções, colocou “bonus tracks” inspirados em faixas como “Love Buzza” e “Rape me”, de outros álbuns da banda. “Montei um time de autores que mesclasse iniciantes com nomes já consagrados e premiados, cobrindo diversas partes do país. Mas, acima de tudo, um time de autores que fosse fã de Nirvana”.

Assinam os contos nomes como Débora Ferraz, vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, e Maurício de Almeida, vencedor do Prêmio Sesc de Literatura, mas também artistas que pouco publicaram até aqui, como Flávio Torres. Dentre as faixas mais icônicas da banda, coube a Bruno Liberal escrever a partir de “Smells Like Teen Spirit”, a Alessandro Garcia criar desde “Polly” e a Moema Vilela a construir algo inspirado em “Lithium”.

“De início, minha reação à incumbência de escrever sobre essa super música foi tentar criar um universo ficcional mais próximo da letra. Acho que quis fazer isso por estar não só entusiasmada de dialogar com uma música de que eu gostava em especial, mas também meio que intimidada. Depois abandonei a ideia de refletir a letra e busquei encontrar outras qualidades que eu sentia na música – força, oscilação emocional, uma fúria criadora de beleza e destruidora também, alguns easter eggs. No fim, a narradora e protagonista virou quem inicialmente era a melhor amiga desse primeiro personagem, e toda referência ao remédio quase desapareceu da história explícita”, diz Moema.

cobainLivro gratuito

Moema também falou sobre a dificuldade de se criar um conto a partir de uma música. Lembrou que toda obra dialoga com outras, mas explicou que quando há uma referência explícita de onde partir, o desafio fica ainda mais interessante. “Como um conto pode conversar com uma música? Com uma pintura, uma performance? O que eu posso fazer com uma música que me encanta tanto que quero me relacionar com ela de modo mais ativo do que apenas escutá-la? Nessa arte do diálogo, como leitora, fico muito entusiasmada de reconhecer elementos ou ressonâncias da obra primeira de que o artista homenageado partiu. Estou gostando de ler os outros contos da antologia também por isso”.

Ao comentar sobre o corpo que a antologia tomou, Tavares se diz surpreso pela maneira que os escritores partiram das letras de Cobain e tomaram caminhos bem variados. “O Kurt trabalhava muito com a sonoridade, o que tornava muitas de suas composições um quebra-cabeça bizarro, cujo sentido dependia muito mais de uma liberdade metafórica, de subentendimentos que, por muitas vezes, estavam nesse mergulho por sentimentos obscuros, por recortes de lembranças ou de coisas que ele ouviu e sobre as quais a realidade imperava. Jogar uma luz criativa sobre esses esconderijos do Kurt era o que mais me entusiasmava. Temos desde contos que extraem referências diretas das canções até aqueles em que a música empresta apenas o ritmo, o descompasso da repetição de riffs e de frases curtas”, diz. O organizador também aponta que há uma grande variedade de gêneros no livro, com contos que vão “do humor escrachado ao nonsense, passando pela ficção científica ao fluxo de consciência que flerta com o relato de formação”.

E para quem ficou interessado por “Cobain”, uma boa notícia: por ora exclusiva em e-book, a antologia está disponível para download gratuito na Amazon. “A intenção, desde sempre, foi fazer uma grande homenagem ao álbum, por meio de contos assinados por autores fãs da banda, que pudesse atingir o máximo de leitores”, justifica Tavares.

Sobre o autor

Rodrigo Casarin é jornalista pós-graduado em Jornalismo Literário. Vive em São Paulo, em meio às estantes com as obras que já leu e às pilhas com os livros dos quais ainda não passou da página 5.

Sobre o blog

O blog Página Cinco fala de livros. Dos clássicos aos últimos sucessos comerciais, dos impressos aos e-books, das obras com letras miúdas, quase ilegíveis, aos balões das histórias em quadrinhos.

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